Em comunicado oficial, a Fiocruz destacou que, nos últimos meses, a deterioração da segurança no local se tornou evidente, levando a instituição a implementar um plano de desocupação gradual. Os estudantes afetados receberão um auxílio financeiro mensal de R$ 800, destinado a ajudar na transição para uma nova moradia. Esse benefício terá uma duração inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado caso as condições de segurança permaneçam desfavoráveis.
A desocupação será realizada de maneira gradual, com apoio emocional e orientações aos estudantes, visando minimizar o impacto na continuidade de suas atividades acadêmicas. O Conselho Deliberativo da Fiocruz estará envolvido na supervisão do processo e no acompanhamento da segurança local.
Os moradores do alojamento, que incluem estudantes de diversas origens e áreas de pesquisa, se mobilizaram contra a decisão. Eles expressaram preocupação com a mudança abrupta, que consideram unilateral e potencialmente prejudicial aos seus projetos de pesquisa na instituição. Além disso, argumentam que o auxílio financeiro proposto é inadequado para cobrir os custos de moradia em uma cidade como o Rio de Janeiro.
A questão da segurança foi levantada pelos estudantes como um fator que poderia ser mitigado com melhorias na infraestrutura do alojamento. Sugestões como a construção de muros de proteção foram ignoradas pela administração da Fiocruz, que posteriormente convocou uma reunião para comunicar a decisão final. Após a reunião, os estudantes enviaram uma carta solicitando a suspensão imediata da desativação até que alternativas viáveis fossem discutidas coletivamente.
Os relatos dos estudantes enfatizam ainda a falta de apoio familiar, ressaltando que muitos deles pertencem a grupos sub-representados, o que torna a permanência no alojamento ainda mais crucial para suas trajetórias acadêmicas. O clima de insegurança é palpável, com relatos de tiros frequentes e confrontos nas proximidades, preocupações que se estendem a toda a comunidade da Zona Sudoeste.
Além de lidar com a desativação do alojamento, a Fiocruz tem enfrentado desafios contínuos relacionados à segurança em seus diferentes campi, tendo adotado medidas para proteger seus trabalhadores e estudantes em meio ao agravamento da violência no Rio de Janeiro nos últimos anos. Essa situação preocupa não apenas os acadêmicos, mas também a administração da instituição, que precisa equilibrar a pesquisa científica com a realidade complexa enfrentada pela população local.
