O Crescimento das Finanças Embarcadas e a Mudança no Cenário Empresarial
Nos últimos anos, um conceito vem ganhando destaque entre empresas e consumidores: as finanças embarcadas, ou embedded finance. Essa abordagem se refere à integração de serviços financeiros em plataformas e produtos que normalmente não têm relação com o setor financeiro. Exemplos práticos incluem pagar uma corrida de táxi pelo aplicativo de transporte, parcelar uma compra em uma loja online ou acessar um limite de crédito dentro de um sistema de gestão empresarial. Essas situações são apenas algumas manifestações dessa tendência que já se tornou uma realidade palpável.
O cenário das finanças embarcadas representa uma mudança estrutural e não uma simples moda passageira. Estimativas apontam que, até 2030, a receita global gerada por esse segmento poderá ultrapassar a marca impressionante de US$ 7 trilhões. No Brasil, o potencial é ainda mais expressivo, com projeções indicando que o setor deve movimentar mais de US$ 18 bilhões até o final da década. Serviços integrados devem gerar, sozinhos, mais de R$ 24 bilhões em 2026. Contudo, muitos negócios ainda consideram essa pauta apenas pertinente ao universo das fintechs, um equívoco que tende a se tornar custoso conforme o mercado evolui.
Três fatores principais explicam por que as empresas não podem mais se dar ao luxo de ignorar essa abordagem inovadora. Primeiramente, a monetização já está ocorrendo em diversas áreas. Negócios que adotam serviços financeiros em sua operação têm acesso a novas camadas de receita, como demonstram exemplos de marketplaces que oferecem crédito a vendedores, gerando receita tanto das vendas quanto do financiamento. Aplicativos bem conhecidos, como iFood e Rappi, já incorporam esses serviços, ampliando suas oportunidades.
Além disso, depender de instituições financeiras para operar serviços financeiros significa abrir mão de controle. Os negócios que optam por terceirizar seus processos enfrentam limitações impostas por tarifas e condições de terceiros, comprometendo sua agilidade e eficiência. A internalização da infraestrutura financeira, por outro lado, permite que as empresas controlem a experiência do cliente, reduzindo custos e aumentando a agilidade nas decisões.
Por fim, a integração de serviços financeiros se mostra eficaz na retenção de clientes. Estudos revelam que empresas que adotam finanças embarcadas notam um aumento significativo no engajamento e na aquisição de novos clientes. Esse fenômeno acontece porque, ao oferecer uma gama de serviços financeiros em uma única plataforma, a chance de fidelizar o cliente aumenta, dificultando sua migração para concorrentes.
Com a infraestrutura necessária já disponível no mercado, a adoção das finanças embarcadas deixou de ser uma estratégia de longo prazo; agora, é uma decisão crucial que empresas de todos os tamanhos estão tomando. O desafio agora é encontrar a coragem de dar o primeiro passo nessa nova direção.





