Médicos e especialistas na área de saúde ressaltam a importância de manter hábitos saudáveis, mesmo quando o calendário escolar marca férias. O endocrinologista pediátrico Miguel Liberato destaca que é essencial aproveitar esse tempo livre para incentivar a movimentação das crianças e compensar os possíveis excessos alimentares. Ele faz questão de frisar três áreas nas quais os responsáveis devem ter um olhar atento.
A primeira delas é a questão do tempo de tela. Liberato sugere que mesmo durante o período relaxante, essa exposição deve ser monitorada com a mesma rigidez de um dia letivo. Para crianças menores de 2 anos, recomenda-se uma zero exposição a eletrônicos, enquanto para a faixa etária de 2 a 5 anos, o ideal é que o uso não ultrapasse uma hora diária. Para os pequenos entre 6 e 10 anos, a sugestão é de até duas horas, podendo ser estendida a três horas para adolescentes de 11 a 18 anos. É também preferível evitar que os jovens utilizem dispositivos durante a noite.
Além disso, o médico enfatiza a importância de tornar os momentos ao ar livre uma prioridade. Atividades como jogar bola, andar de bicicleta ou brincar de esconde-esconde são fundamentais para garantir que as crianças permaneçam ativas e saudáveis. A prática de exercícios não apenas combate a obesidade, como também traz benefícios para a saúde mental, melhora do sono, e favorece a socialização entre os jovens.
A alimentação, por sua vez, não deve ser negligenciada. A combinação de uma dieta balanceada com uma supervisão rigorosa da quantidade de tempo em que as crianças ficam expostas a telas e da prática de atividades físicas é crucial no enfrentamento da crescente obesidade infantil, que se tornou um problema alarmante em muitos países. Dados indicam que a porcentagem de crianças entre 5 e 19 anos com sobrepeso ou obesidade saltou perigosamente nos últimos anos, evidenciando um cenário que requer ação imediata.
No Brasil, cerca de 16,6 milhões de adolescentes e crianças estão dentro dessa estatística, o que representa quase 40% dessa faixa etária. Previsões apontam que, em 2040, a situação poderá se agravar, alcançando até 50%. Por esse motivo, a orientação é que as famílias mantenham a rotina alimentar, evitando substituições drásticas por fast food e incentivando refeições equilibradas.
O endocrinologista também alerta para o fato de que, embora seja aceitável incluir guloseimas em momentos festivos, a moderação deve ser a palavra-chave. O foco deve ser a criação de memórias positivas em família, celebrando os momentos juntos, mas sempre com equilíbrio. Em suma, as férias podem e devem ser momentos de alegria, desde que acompanhas pelo cuidado e responsabilidade em relação à saúde das crianças.
