Famílias de vítimas da ditadura militar têm certidões de óbito corrigidas após décadas de luta: a verdade histórica sendo restabelecida.

Na década de 1970, uma família de classe média viu sua rotina ser drasticamente interrompida quando militares, disfarçados de civis, invadiram sua casa e levaram o patriarca, que nunca mais foi visto. Esse episódio iniciou um período de dor e busca por respostas para a família Alcântara, que compartilhou o mesmo drama vivido pela família Paiva, retratada no filme “Ainda estou aqui”.

Elza Souza de Alcântara viu seu marido, Abelardo Rausch de Alcântara, ser levado sem explicações em uma manhã de fevereiro de 1970. A versão oficial da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal durante a ditadura alegava que Abelardo teria tentado suicídio, mas a Comissão Nacional da Verdade revelou que na verdade ele foi vítima de tortura e teve sua morte forjada em um acidente de carro.

Recentemente, a família de Abelardo obteve a correção da certidão de óbito do patriarca, assim como muitas outras famílias de vítimas da ditadura, incluindo Epaminondas Gomes de Oliveira e Henrique Ornellas. Essas correções são fundamentais para desmascarar a narrativa imposta pelo Estado e reconhecer a violência sofrida pelas vítimas.

Os familiares das vítimas agradecem a iniciativa do Conselho Nacional de Justiça em determinar a retificação das certidões de óbito, proporcionando o resgate da memória e dignidade das vítimas da ditadura militar. Essa medida repara injustiças históricas e permite que as famílias possam encerrar um ciclo de dor e invisibilidade.

A entrega dos novos documentos atualizados para os familiares está prevista para o mês de fevereiro, após os cartórios encaminharem os registros ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Essa ação é um passo importante para reconhecer e reparar as violências cometidas durante o período sombrio da história do Brasil.

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