Elza Souza de Alcântara viu seu marido, Abelardo Rausch de Alcântara, ser levado sem explicações em uma manhã de fevereiro de 1970. A versão oficial da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal durante a ditadura alegava que Abelardo teria tentado suicídio, mas a Comissão Nacional da Verdade revelou que na verdade ele foi vítima de tortura e teve sua morte forjada em um acidente de carro.
Recentemente, a família de Abelardo obteve a correção da certidão de óbito do patriarca, assim como muitas outras famílias de vítimas da ditadura, incluindo Epaminondas Gomes de Oliveira e Henrique Ornellas. Essas correções são fundamentais para desmascarar a narrativa imposta pelo Estado e reconhecer a violência sofrida pelas vítimas.
Os familiares das vítimas agradecem a iniciativa do Conselho Nacional de Justiça em determinar a retificação das certidões de óbito, proporcionando o resgate da memória e dignidade das vítimas da ditadura militar. Essa medida repara injustiças históricas e permite que as famílias possam encerrar um ciclo de dor e invisibilidade.
A entrega dos novos documentos atualizados para os familiares está prevista para o mês de fevereiro, após os cartórios encaminharem os registros ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Essa ação é um passo importante para reconhecer e reparar as violências cometidas durante o período sombrio da história do Brasil.
