FAA determina suspensão temporária de voos e inspeções em aviões 737 Max 9 da Boeing após incidente com Alaska Airways.

A Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) anunciou uma decisão inédita de suspender temporariamente os voos e inspeções de alguns aviões 737 Max 9 da Boeing operados por companhias aéreas americanas. Essa medida foi tomada um dia após uma aeronave recém-fabricada do tipo, que estava nas mãos da Alaska Airways, perder parte da fuselagem pouco depois de decolar.

Essa decisão representa um grande revés para a Boeing, que já vinha enfrentando problemas de fabricação e reparos caros nos últimos anos. Segundo a FAA, a iniciativa atinge cerca de 171 aviões em todo o mundo. A Alaska Airways, a segunda maior operadora mundial do modelo, com 65 aeronaves, já suspendeu a frota dos 737 Max 9 após o incidente de sexta-feira. Além disso, a United Airlines, principal operadora do avião, com 78 unidades, também retirou alguns dos jatos de serviço para realizar inspeções.

Essa decisão de suspender os voos dos aviões Max 9 representa a resposta mais radical a um incidente desde que toda a frota de aeronaves Max da Boeing foi temporariamente retirada de serviço em 2019, após dois acidentes fatais. O modelo 737 Max é, de longe, o mais popular da Boeing e sua maior fonte de receitas atualmente. Esse tipo de aeronave, assim como o seu correspondente, o A320 da rival Airbus, são os mais usados para rotas aéreas curtas.

A Alaska Airlines, sem tirar conclusões preocupantes, informou que já concluiu inspeções em “mais de um quarto” de sua frota de 737-9. A companhia aérea pretende devolver os jatos ao serviço assim que as inspeções forem concluídas com toda a sua confiança.

A aeronave da Alaska Airways transportava 171 passageiros e seis tripulantes de Portland, no estado de Oregon, para Ontário, na Califórnia, na última sexta-feira, quando cerca de 20 minutos de viagem, a tripulação relatou um problema de pressurização. Parte da fuselagem no meio da aeronave explodiu, abrindo um buraco semelhante à abertura de uma porta, tudo isso a uma altitude de cerca de 16.000 pés (ou 4,8 mil metros). O piloto precisou fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional de Portland.

A Boeing informou que está coletando mais informações com a companhia aérea e que uma equipe técnica está pronta para apoiar a investigação. Além disso, a Agência para a Segurança da Aviação da União Europeia está verificando se será necessário impor algum tipo de exigência. Enquanto isso, a agência reguladora de aviação da China realiza uma reunião de emergência para considerar uma resposta ao incidente, incluindo a possibilidade de suspender a frota de Boeing Max no país. O modelo do incidente da Alaska Airways não é operado por transportadoras chinesas, mas o país asiático foi o primeiro a suspender o 737 Max após os dois acidentes fatais há vários anos.

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