Exposição Revela a Importância das Mulheres na História dos Fotolivros com Obras de Autoras Pioneiras de 1843 a 1999 no IMS Paulista

A Exposição “O Que Elas Viram” e a Reescrita da História dos Fotolivros

A história dos fotolivros é marcada principalmente por narrativas masculinas, relegando as contribuições femininas a segundo plano. No entanto, essa realidade começa a ser desafiada pela 10×10 Photobooks, uma organização sem fins lucrativos comprometida em destacar obras de autoras que, ao longo dos séculos, moldaram a cultura visual e puseram em evidência o papel das mulheres na fotografia.

A mostra “O que elas viram: fotolivros históricos de mulheres, 1843-1999”, em exibição na Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista até 2 de agosto, busca trazer à tona essas vozes muitas vezes esquecidas. Com cerca de 200 anos de história, a exposição apresenta obras que vão de Anna Atkins, considerada a primeira autora de um fotolivro, até contemporâneas como Claudia Jaguaribe e Hiromix. Assim, a linha do tempo se estende por gerações e geografias diversas, incluindo autoras do Brasil, Irã, e outras partes do mundo.

As curadoras Russet Lederman e Olga Yatskevich, através de seus esforços, visam reverter a história que marginaliza o trabalho feminino. Elas ressaltam a importância de revisar as narrativas históricas, apontando que a exclusão não é um acaso, mas sim reflexo de vieses que precisam ser confrontados. No catálogo da mostra, enfatizam que a história dos fotolivros está repleta de lacunas, exigindo um olhar crítico e inclusivo para abranger todas as vozes.

A exposição apresenta um acervo de mais de 100 fotolivros, entre os quais destaca-se “Sun Gardens”, de Anna Atkins. Os exemplares estão organizados em um ambiente que remete a uma sala de leitura, permitindo ao público uma experiência intimista e reflexiva. O projeto vai além de um simples levantamento de obras femininas; busca também expandir as definições do que pode ser considerado um fotolivro, reconhecendo obras que fogem dos padrões tradicionais de publicação.

Além de incluir obras brasileiras já consagradas, a pesquisa se desvia do foco europeu e americano, trazendo autoras contemporâneas e reconhecidas que ainda estão ativas no campo da fotografia. O trabalho de pesquisa foi enriquecido com a contribuição do coordenador da biblioteca do IMS, Miguel Del Castillo, que ajudou a destacar novas vozes que merecem reconhecimento.

“O que elas viram” vai além de uma coleção de obras, é um chamado à ação: um convite para respeitar a diversidade nas narrativas fotográficas e quebrar as barreiras de uma história que clama por ser reescrita. Após o encerramento da exposição, os exemplares integrarão o acervo permanente da biblioteca, garantindo que essas histórias continuem acessíveis às futuras gerações.

Com iniciativas como essa, um novo capítulo se abre na história do fotolivro, onde a inclusão e a diversidade ganham destaque, trazendo à luz o importante papel das mulheres na construção da narrativa fotográfica mundial.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo