A Corrida pela Inteligência Artificial: Reflexões sobre seu Uso Responsável
Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) ganhou destaque como uma das ferramentas mais promissoras no mundo dos negócios. Contudo, a pressa em implementá-la tem gerado discussões sobre a necessidade de critérios que orientem seu uso. Gustavo Victorica, cofundador da RecargaPay, levanta uma questão essencial: é fundamental revisar os processos antes de aplicar IA de forma irrestrita. Segundo ele, simplesmente adicionar uma camada de tecnologia em um sistema existente não é suficiente e pode resultar em custos desnecessários.
Durante o painel da “Rio Innovation Week 2026”, realizada no centro do Rio de Janeiro, Victorica sublinhou que a execução de projetos de IA se tornou uma prática comum, uma verdadeira commodity. Assim, o verdadeiro desafio para as empresas passa a ser a identificação de quais aspectos são prioritários para automatizar. “O critério de aplicação da tecnologia é o bem mais escasso hoje”, afirma o executivo.
A aplicação eficaz da IA deve se refletir no cliente final, proporcionando uma melhor experiência e, consequentemente, uma operação mais eficiente e econômica. É imperativo que a produtividade da equipe deva se traduzir em receita, e não apenas em aumento do uso da tecnologia. Para Victorica, essa solução contribui para capacitar os profissionais, como os analistas de atendimento ao cliente, a desempenharem suas funções com maior eficiência.
A discussão em torno da IA também foi abordada por Mari Pinudo, country manager da Adobe, que destaca que o mercado ainda enfrenta um excesso de discurso em torno da tecnologia. Para ela, quando as empresas conseguem trazer resultados aplicáveis, o “ruído” entorno da IA diminui. A executiva exemplificou com a personalização de conteúdos em bancos, onde clientes diferentes têm experiências únicas baseadas em seus históricos.
Mari ainda ressaltou a importância de aceitar testes e falhas na adoção da IA, como uma forma de desenvolver uma análise crítica nas equipes — uma habilidade que permanece essencial independentemente do avanço da automação.
Karina G. F. Lima, da Amazon Web Services, trouxe outra perspectiva ao mencionar a importância de aceitar o erro como parte do processo inovador. Com o exemplo de um celular fracassado da Amazon, que resultou em avanços significativos na tecnologia de reconhecimento de voz, ela enfatizou que a curva de aprendizado e a adoção da IA requerem tempo. Karina destacou que startups brasileiras que utilizam IA têm mostrado crescimento acelerado, refletindo o potencial transformador dessa tecnologia em diversos setores, como saúde e finanças.
Além disso, a executiva enfatizou a necessidade de se tornar responsável pela implementação da tecnologia, avaliando não apenas os resultados, mas também o custo e o impacto ambiental das soluções adotadas. Em suma, a jornada rumo à inovação por meio da IA exige que as empresas não apenas queiram inovar, mas que também façam isso de maneira consciente e estratégica.




