Os cientistas responsáveis pelo desenvolvimento do CardiOmicScore analisaram um imenso banco de dados do UK Biobank, examinando 2.920 proteínas circulantes e 168 metabólitos presentes nas amostras de sangue coletadas. Essas moléculas atuam como autênticos “gravadores em tempo real”, capturando pequenas alterações no sistema imunológico, no metabolismo e na saúde vascular dos indivíduos. Utilizando técnicas de aprendizado profundo, a equipe conseguiu integrar dados multiômicos, que incluem informações genômicas, metabolômicas e proteômicas, para criar uma ferramenta que promete revolucionar a forma como avaliamos os riscos cardiovasculares.
O CardiOmicScore é capaz de fornecer uma estimativa do risco de diversas condições, como doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doença arterial periférica e tromboembolismo venoso, tudo isso em um único exame de sangue. Este é um avanço significativo, considerando que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo, somando aproximadamente 20 milhões de óbitos apenas em 2022.
Tradicionalmente, médicos avaliam o risco cardiovascular com base em fatores como idade, pressão arterial e histórico de tabagismo, mas muitas vezes essas análises deixam de identificar alterações biológicas iniciais que podem indicar um problema iminente. Embora as pontuações de risco poligênico sejam uma alternativa, essas abordagens frequentemente não incluem o panorama completo, uma vez que a genética tende a permanecer constante ao longo do tempo.
É nesse contexto que o CardiOmicScore se destaca, oferecendo uma visão mais atualizada das eficiências do ambiente e das mudanças no estilo de vida na saúde cardiovascular. O professor associado Zhang Qingpeng, um dos responsáveis pela pesquisa, aponta que os genes influenciam o risco básico de saúde, enquanto proteínas e metabolitos ilustram o estado atual do organismo. Com esse entendimento, a ferramenta de IA foi projetada para decifrar sinais moleculares complexos, possibilitando que médicos e pacientes identifiquem riscos em estágios muito mais precoces. Essa proatividade pode potencialmente alterar o curso de doenças, permitindo intervenções oportunas e reformas no estilo de vida.
A pesquisa completa sobre o CardiOmicScore foi divulgada na revista científica Nature Communications, sinalizando um novo horizonte nas estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares.





