Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, é solto após ser preso com arma de uso restrito em operação contra organizações criminosas

O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, foi solto no último sábado após ser preso por porte ilegal de uma arma de uso restrito. A ordem de liberação foi emitida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e recebida pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) do Rio de Janeiro durante a manhã. Canella, que é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil com o apoio de Flávio Bolsonaro, foi detido na quarta-feira (8) em uma operação que investiga os vínculos de agentes públicos com organizações criminosas, chamada Operação Unha e Carne.

Durante sua prisão, Canella foi flagrado com um fuzil em sua mala e, após a audiência de custódia, foi transferido para a unidade Bangu 8, no Complexo de Gericinó. A decisão de soltá-lo foi proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, que também determinou o uso de tornozeleira eletrônica como condição para a liberdade. A Seppen informou que estão sendo realizados os procedimentos necessários para implementar essa medida.

A defesa de Canella, representada pelo advogado Pierpaolo Cruz Bottini, declarou que a prisão não se sustentava, uma vez que a arma encontrada no veículo do ex-prefeito era registrada e legalizada para sua segurança. O advogado ainda afirmou que todos os documentos necessários foram submetidos ao STF, reforçando a postura de Canella em colaborar com as investigações.

A Operação Unha e Carne, por sua vez, busca desmantelar uma quadrilha que supostamente utilizava postos de gasolina para lavagem de dinheiro, com movimentações que ultrapassam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A investigação, iniciada a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), resultou em mandados de busca e apreensão em 19 endereços, incluindo a apreensão de veículos de luxo e grandes quantias em dinheiro.

Entre os envolvidos, destaca-se o ex-secretário da Polícia Civil, Marcus Amim, que, segundo as investigações, tem conexões com o esquema e é alvo de apuração. A descoberta de laços entre agentes públicos e atividades ilícitas levanta questões sérias sobre a corrupção no estado. As acusações incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratações diretas ilegais, tudo isso no contexto da Força-Tarefa Missão Redentor II, que visa atacar a criminalidade em áreas de alta vulnerabilidade.

O caso provoca discussões acaloradas nas redes sociais, refletindo a preocupação da sociedade com a integridade das instituições e a necessidade de uma resposta eficaz contra a corrupção que permeia diferentes níveis do governo e das forças de segurança. As investigações estão em andamento, e as defesas dos envolvidos ainda não se manifestaram oficialmente.

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