Ex-funcionário do Podemos assume entrega de R$ 746 mil apreendidos pela PRF em operação na Fernão Dias e declara origem lícita do dinheiro.

Um ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo e do partido Podemos se declarou responsável pela entrega de R$ 746 mil em dinheiro vivo, apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no dia 9 de abril, na Rodovia Fernão Dias. A quantia foi encontrada com José do Carmo Vieira, que se identificou como “coordenador político” da legenda, e afirmou que o dinheiro foi obtido durante um evento da Fundação Podemos em São Paulo.

Durante a investigação, Vieira revelou que o dinheiro tinha sido enviado por Jonas Boffa de Azevedo, de 33 anos, que atuou como assessor do Podemos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. Vale destacar que Jonas é irmão de Cesar Angel Boffa de Azevedo, ex-secretário da administração de Bruno Covas, além de ter trabalhado para a fundação do Podemos entre 2019 e 2022.

Jonas, em uma nota enviada à reportagem, declarou que esteve presente no evento do partido, mas não se encontrou com nenhum mandatário. Ele alegou que contatou José do Carmo para levar os R$ 746 mil a Minas Gerais, onde planejava realizar investimentos. Segundo a nota, a origem do dinheiro seria “lícita e declarada, proveniente da venda de um imóvel”.

Em resposta ao ocorrido, o Podemos se distanciou do caso, afirmando que não teve qualquer envolvimento com a transação e que os recursos não passaram por suas dependências. A sigla classificou a situação como uma relação privada entre Jonas Azevedo e José do Carmo Vieira.

Horas antes da apreensão, o policial civil aposentado Sergio Felipe, que dirigia o veículo onde o dinheiro foi encontrado, havia postado em seu Instagram um story em frente a um banner de um evento da Fundação Juntos Podemos, programado para dois dias depois. A ocorrência gerou preocupação, levando Sergio e José do Carmo a serem levados para sede da Polícia Federal em Campinas, onde foram investigados sob suspeita de lavagem de dinheiro e crime eleitoral.

A apreensão em si ocorreu na Rodovia Fernão Dias, e os agentes relatam que Vieira e seu acompanhante demonstraram nervosismo antes mesmo de serem questionados. O dinheiro estava escondido em uma caixa de papelão no banco de trás do veículo. José do Carmo foi identificado como sócio da Mar de Minas Cooperativa de Transportes, que possui um contrato com uma prefeitura em Minas Gerais para serviços de transporte intermunicipal. Até o momento, Sergio Felipe não atendeu as tentativas de contato da imprensa. O espaço permanece aberto para manifestações dos envolvidos.

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