Os relatos de violência são preocupantes. No dia 22 de maio, um homem armado com um fuzil invadiu a unidade e ameaçou dois adolescentes que estavam utilizando um bebedouro, além de forçar um funcionário a apagar as luzes e interromper as rondas de segurança sob a iminente ameaça de ser alvejado. O clima de insegurança é palpável, com um funcionário tendo sido ameaçado na frente da unidade apenas três dias antes e, anteriormente, outras pessoas sendo coagidas a realizar atendimentos domiciliares sob a mesma situação de risco.
Diante dessa escalada da violência, a equipe decidiu solicitar o fechamento temporário da clínica à Coordenadoria de Área Programática (CAP) 3.3 da Secretaria Municipal de Saúde e à organização que administrava a unidade, a SPDM. O fechamento seria programado de 27 de maio a 8 de junho; no entanto, em resposta a um apelo da CAP, decidiram reabrir os serviços nesta última terça-feira, 2 de junho. Os funcionários relataram que, embora não houvesse garantias de melhoria na segurança, era necessário retomar os atendimentos, uma vez que a comunidade de Acari é altamente dependente do Sistema Único de Saúde (SUS).
Um dos funcionários expressou o sentimento de abandono e insegurança, mencionando que a clínica, antes acessível para pacientes de fora da comunidade, agora limita o atendimento a moradores de Acari devido à crescente violência. Estima-se que a clínica, que conta com cerca de 95 colaboradores e realiza entre 600 a 700 atendimentos diários, esteja lidando com uma crise de pessoal, com vários funcionários pedindo transferência após a intensificação das ameaças.
A situação se agravou ao longo de maio, com a presença de grupos armados nas proximidades, levando a instituição a divulgar uma nota de repúdio contra os atos de violência que se tornaram comuns. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que, devido à instabilidade, o funcionamento da clínica foi suspenso temporariamente, assegurando que todas as consultas agendadas seriam remarcadas. O cenário é preocupante, e desde o começo do ano, mais de 300 fechamentos de unidades de saúde foram registrados como resultado da violência nas comunidades.
