De acordo com a PF, a prisão de Ramagem foi resultado de uma colaboração internacional entre autoridades brasileiras e americanas. O ex-deputado é considerado foragido pela Justiça Brasileira após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Entretanto, a narrativa entre os parlamentares bolsonaristas é de que não se tratou de uma prisão propriamente dita, mas sim de uma detenção motivada por uma suposta infração de trânsito. Eles argumentam que, após a abordagem, Ramagem foi encaminhado às autoridades migratórias, configurando um “procedimento padrão” nos Estados Unidos.
O blogueiro Paulo Figueiredo, que é parceiro de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, corroborou essa versão. Ele afirmou que sua equipe está prestando assistência jurídica à família de Ramagem e que este possui um pedido de asilo em andamento, não vislumbrando risco iminente de deportação.
A deputada Bia Kicis também se posicionou em defesa de Ramagem, exclusivamente enfatizando que a detenção foi em virtude de uma infração de trânsito, sem qualquer relação com decisões do ministro Alexandre de Moraes. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, reiterou essa perspectiva, chamando a detenção de uma prática rotineira e criticando a PF por sugerir uma colaboração internacional, o que, segundo ele, seria uma tentativa de politizar o caso.
Outros deputados fizeram declarações semelhantes. Marcel van Hattem, do Novo, questionou a credibilidade da PF, enquanto Zé Trovão rotulou a versão da polícia como “mentirosa”. A expectativa entre os apoiadores de Ramagem é que ele seja liberado após a audiência com as autoridades migratórias.
Nos bastidores, contudo, um discurso mais cauteloso surge entre aliados de Jair Bolsonaro. Alguns reconhecem que o episódio pode estar ligado à situação jurídica de Ramagem no Brasil, apesar de publicamente tentarem desvincular ambos os acontecimentos. Há um sentimento de frustração relacionado à estratégia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que não parece proporcionar a proteção e influência necessárias em situações críticas como a vivenciada por Ramagem. Observadores acreditam que essa situação pode expor um isolamento crescente do grupo no exterior, comprometendo as aspirações políticas que Eduardo buscava ao se estabelecer nos EUA.






