Ex-comandante do CMP afirma que ordem do Exército cancelou operação para desmobilizar acampamento golpista em Brasília.

No depoimento prestado à CPMI do 8 de Janeiro, o ex-comandante do Comando Militar do Planalto (CMP), general Gustavo Henrique Dutra, revelou que o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, cancelou uma operação da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) para desmobilizar o acampamento de manifestantes golpistas em Brasília, no dia 29 de dezembro de 2022. Essa informação foi compartilhada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora da CPMI, com base em depoimentos e documentos recebidos.

De acordo com a senadora, a PMDF foi mobilizada por três vezes no ano passado para retirar o acampamento instalado em frente ao Quartel General do Exército. Porém, todas as ações foram suspensas por determinação do ex-comandante do CMP. Durante o depoimento, Eliziane perguntou se o general Dutra recebeu pressão para manter o acampamento em razão da presença de familiares de generais e de oficiais do Alto Comando do Exército. O ex-comandante negou ter sido pressionado e afirmou que, no dia 29 de dezembro, recebeu uma ligação do general Freire Gomes ordenando que apenas militares do Exército acompanhassem servidores do governo do Distrito Federal em uma ação para a retirada dos manifestantes. No entanto, a operação resultou apenas na remoção de barracas desocupadas.

O general Dutra também negou que tenha havido “inércia ou complacência dos militares” na desmobilização dos manifestantes. Segundo ele, somente na noite do dia 8 de janeiro, após os ataques à Praça dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a retirada do acampamento e a prisão dos golpistas. Questionado sobre o motivo de não ter cumprido a determinação do STF em 8 de janeiro, o ex-comandante justificou que havia “riscos para o cumprimento da ordem judicial durante a noite” e que a operação foi adiada para a manhã seguinte, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A relatora da CPMI confrontou o general Dutra com informes de inteligência que apontavam para o planejamento e o cometimento de crimes dentro do acampamento. Ela também questionou se o ex-comandante recebeu alertas do Serviço de Inteligência do Exército (SIE) sobre a presença de militares da reserva incitando atos violentos contra o Estado Democrático de Direito. O general negou ter recebido qualquer comunicação do SIE e afirmou que não cabia ao Exército julgar se a concentração em frente ao Quartel General era ou não irregular.

O acampamento na Praça dos Cristais começou em outubro de 2022 e durou 69 dias, reunindo até 100 mil pessoas em seu auge. No entanto, duas semanas antes da retirada, restavam apenas 200 manifestantes. O general Dutra admitiu que esse foi um fato inédito. A retirada do acampamento e a prisão dos golpistas ocorreram no dia 8 de janeiro, após a determinação do STF.

Esses foram os principais pontos apresentados durante o depoimento do general Gustavo Henrique Dutra à CPMI do 8 de Janeiro. Ele ressaltou que o cancelamento da operação no dia 29 de dezembro foi uma decisão do então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, com o objetivo de evitar um possível enfrentamento que poderia atrapalhar a posse do presidente Lula, que ocorreria logo em seguida.

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