Evo Morales propõe novas eleições na Bolívia em meio a protestos e crise política, alertando sobre possível militarização e necessidade de pacificação.

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs, em seu programa semanal na Rádio Kawsachun Coca, a realização de novas eleições gerais dentro de um prazo de 90 dias, em meio à crise política e social que afeta o país. Neste cenário de intensificação de protestos e bloqueios contra o governo do presidente Rodrigo Paz, Morales sugere que a melhor alternativa seria a formação de um governo de transição, evitando assim uma possível militarização da situação.

Morales argumenta que o presidente enfrenta duas opções: a saída do governo ou a militarização, que ele descreve como uma “decisão suicida”. Ele enfatiza que a via da transição e das novas eleições é a única solução viável para prevenir mais mortes e feridos entre os manifestantes.

Os protestos, que começaram a ganhar força desde maio, são liderados por trabalhadores, professores, camponeses, indígenas e representantes de setores ligados à Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB). As manifestações estão concentradas em estados como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca, resultando em bloqueios de estradas que afetam severamente o acesso à capital, La Paz.

Os manifestantes expressam insatisfação com as reformas econômicas propostas pelo governo e acusam Paz de ignorar suas principais demandas, que incluem reivindicações por melhores salários, terras, saúde e educação. Desde sua posse há seis meses, o atual presidente enfrenta a pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas, e ele atribui os protestos a manobras políticas orquestradas por Morales.

Além disso, a economia da Bolívia está enfrentando dificuldades, como escassez de dólares, inflação crescente e problemas no abastecimento. Os recentes bloqueios nas estradas agravaram a falta de alimentos, medicamentos e combustíveis em La Paz, levando a uma situação inflacionária alta, que, em abril, atingiu 14%.

Morales nega qualquer envolvimento na coordenação das manifestações e aponta que o governo tenta culpá-lo pela insatisfação popular. Em suas declarações, ele sustenta que a revolta é uma resposta às políticas da administração Paz, especialmente referindo-se ao Decreto Supremo 5503, que foi promulgado após a ascensão de Paz ao cargo.

No último sábado, a Operação Bandeiras Brancas, conduzida pelas forças policiais e militares, visou desbloquear a rodovia La Paz-Oruro e outras vias importantes. Contudo, essa ação resultou em confrontos violentos, particularmente em El Alto, onde os agentes usaram gás lacrimogêneo, mas os manifestantes resistiram e mantiveram os bloqueios.

O governo boliviano denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que há uma tentativa de desestabilizar a ordem democrática, novamente responsabilizando Morales por instigar os protestos. Entre 2006 e 2019, Morales ocupou o cargo de presidente, mas foi afastado das últimas eleições depois que uma interpretação constitucional limitou a possibilidade de reeleições.

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