Celso Cunha, presidente da ABDAN, criticou a legislação atual, que ainda se baseia nos traumas de acidentes passados, como o de Chernobyl, ocorrendo em 1986, e o incidente de Goiânia, em 1987. Segundo Cunha, essa estrutura legal antiquada impede a implementação de inovações tecnológicas, como os pequenos reatores modulares (SMRs), considerados essenciais para o fortalecimento da geração nuclear no país. Ele revelou que está em andamento um estudo para apresentar propostas de modernização da legislação, com a intenção de oferecê-las aos associados e à Frente Parlamentar da área.
Além da atualização da legislação, o evento abordou a significativa dependência do Brasil em relação à importação de radioisótopos utilizados no diagnóstico e tratamento de doenças. Sibila Grallert, vice-presidente da ABDAN, destacou que, apesar de existem mais de 400 serviços de medicina nuclear no país, a quase totalidade dos radioisótopos é importada, o que encarece os custos e compromete a disponibilidade dos insumos. Ela defendeu a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) em Iperó (SP) como uma solução para garantir a autonomia na produção desses materiais.
Os parlamentares presentes, como os deputados Reimont Otoni e Daniel Soranz, reforçaram a importância da energia nuclear para a competitividade do Brasil, destacando o potencial de Angra 3, que, se concluída, poderia gerar um impacto econômico significativo para o Rio de Janeiro. Julio Lopes, outro deputado presente, enfatizou que a energia nuclear é vital para o desenvolvimento de data centers, e que o avanço nesse setor é crucial para que o Brasil não perca espaço no mercado global.
A mesa de debates ressaltou que a transformação da matriz energética brasileira deve contemplar várias fontes, incluindo a nuclear, para garantir a segurança energética e a soberania nacional. O consenso gerado no evento é que, com políticas claras e investimentos direcionados, a energia nuclear pode ser um pilar de sustentação para o futuro econômico do Brasil.
