EUA gastam bilhões em fábrica militar no Texas que não produziu munições desde 2022, exacerbando crise de suprimentos para o Pentágono.

A recente situação envolvendo uma fábrica militar em Mesquite, Texas, levanta questões importantes sobre a eficácia dos investimentos na indústria de defesa dos Estados Unidos. Apesar de um investimento significativo de US$ 469 milhões, que equivalem a aproximadamente R$ 2,4 bilhões, a instalação não produziu nenhum componente de artilharia de 155 mm desde sua conclusão em 2022. Este cenário preocupa autoridades e especialistas, especialmente em um momento em que o Pentágono enfrenta desafios consideráveis para reabastecer seus estoques de munições.

Desde o início do conflito na Ucrânia, os EUA dispararam cerca de 3,6 milhões de projéteis de 155 mm, com a maior parte desses enviando diretamente ao país europeu. O Exército tinha a ambição de quadruplicar sua produção mensal de munições, passando de 14 mil para impressionantes 100 mil até o final de 2025. No entanto, essa meta parece cada vez mais distante, pois a produção atual na instalação texana não chegou a 36 mil unidades mensais e deve alcançar apenas 71 mil até setembro de 2026, de acordo com as projeções do Pentágono.

O problema se agrava ainda mais pelo fato de que a fábrica de Mesquite não conseguiu cumprir a produção de 30 mil projéteis mensais esperados. As complicações surgiram por conta do uso de equipamentos não testados, que resultaram na paralisação das operações em agosto de 2025, enquanto o governo revisava a viabilidade do projeto. Essa situação revela uma fraqueza crônica na base industrial de defesa dos EUA.

Além disso, perspectivas sombrias sobre a produção de munições levantam questões sobre a capacidade do país em sustentar suas operações militares em cenários de conflito. Com o Pentágono buscando mais de US$ 70 bilhões este ano para modernizações e novos sistemas de armamento, a falta de produção eficaz em Mesquite se torna uma preocupação central nos círculos de defesa. Muitos analistas agora questionam se essa situação irá comprometer a capacidade dos EUA de manter sua posição militar no cenário global, especialmente em face de obrigações emergentes, como o apoio à Ucrânia e a preparação para possíveis confrontos no Oriente Médio.

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