EUA e sua guerra comercial podem levar a cortes drásticos nas taxas de juros da zona do euro, alerta analista do mercado financeiro.

A recente expectativa de uma guerra comercial durante o novo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos levanta diversas preocupações no mercado financeiro, especialmente na zona do euro. Uma análise feita pela gestora de ativos Pimco sugere que a política tarifária do presidente eleito ainda é vista com otimismo excessivo, o que pode desencadear reações significativas nos mercados europeus.

Atualmente, o euro já enfrenta um cenário desafiador, com uma desvalorização superior a 5% em relação ao dólar americano, caindo para US$ 1,06, ou R$ 6,45. Essa movimentação é vista como um reflexo das apostas de investidores sobre uma possível redução acentuada nas taxas de juros pelo Banco Central Europeu (BCE). O diretor de investimentos em renda fixa global da Pimco, Andrew Balls, afirma que a taxa de depósito do BCE, atualmente fixada em 3,25%, pode ser cortada para até 1,75%. Tal situação remete aos períodos em que as taxas de juro na Europa estiveram abaixo de zero, ajustes esses que foram realizados principalmente para conter a inflação que se intensificou após a pandemia de COVID-19.

As implicações desse cenário são vastas. Com o potencial surgimento de uma guerra comercial global, as expectativas para as chamadas taxas de juros terminais tendem a ser ajustadas para baixo. A análise de Balls também aponta que, embora a Europa enfrente riscos financeiros, como a crise na França, o bloco não deve entrar em uma crise sistêmica, especialmente devido ao desempenho resiliente de vários de seus países em resposta às políticas orçamentárias implementadas após a crise pandêmica e os recentes embates políticos.

Além disso, a indicação de Scott Bessent, um conhecido gerente de fundos de hedge, para o cargo de secretário do Tesouro, é vista como um fator que pode moderar as políticas econômicas mais extremas de Trump. Isso poderia, em parte, explicar a recente queda do dólar após as eleições nos EUA, no entanto, a expectativa de uma intensificação da batalha comercial se mantém como um evento a ser monitorado de perto por investidores e economistas. Dessa forma, a intersecção entre a política americana e a economia europeia se torna um ponto de atenção fundamental nas próximas semanas, à medida que os mercados aguardam os desdobramentos dessa nova fase na Casa Branca.

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