O analista e pesquisador Rafael Firme, especialista em relações internacionais do mundo árabe, salienta que a estabilidade na região dependerá em grande parte dos desdobramentos no Líbano. Embora a Casa Branca tenha manifestado discordâncias sobre a postura de Israel, as ações militares deste último indicam que a influência norte-americana sobre seu principal aliado na área tem diminuído. Firme sugeriu que a atual política dos EUA, ao excluir Israel das negociações diretas com o Irã, torna as conversas entre Washington e Teerã frágeis.
Esse distanciamento entre os Estados Unidos e Israel poderia sinalizar o início do fim de um alinhamento automático que caracterizou as relações entre os países por décadas. Firme argumenta que, para reverter essa situação, seria necessário um novo líder em Israel, alguém que estivesse mais alinhado com as prioridades da política externa americana, que atualmente busca evitar conflitos e priorizar a paz.
Os interesses divergentes entre os aliados são notáveis, e a situação no estreito de Ormuz — vital para o comércio global e a economia dos EUA — apenas acrescenta um elemento de urgência. Apesar da pressão de Tel Aviv sobre o governo americano, os altos custos da guerra e a crescente impopularidade do conflito nas eleições domésticas forçam Washington a reconsiderar sua abordagem. Diante desse quadro, as relações entre os EUA e Israel tornam-se marcadamente mais tensas, à medida que ambos os países se afastam progressivamente em suas agendas e estratégias no Oriente Médio.
Assim, fica claro que os esforços diplomáticos que antes eram comuns entre os aliados estão se tornando cada vez mais vulneráveis, à medida que os interesses de ambos se distanciam. Isso torna o caminho para uma paz duradoura mais nebuloso do que nunca, trazendo um novo nível de complexidade às relações internacionais na região.





