EUA Consideram Operações Militares em Terra Contra Tráfico na América Latina Após Classificação de Facções como Organizações Terroristas

Quase dois meses após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os Estados Unidos estão considerando expandir sua campanha contra o narcotráfico por meio de operações terrestres na América Latina. A possibilidade de uma ofensiva desse tipo foi anunciada pelo secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, durante sua visita ao Panamá, onde ele destacou que a estratégia envolvida nas operações marítimas contra embarcações de traficantes poderia ser transportada para o solo dos países da região.

Hegseth enfatizou que o objetivo é ter um impacto similar em terra, mencionando colaborações com nações como Equador e Colômbia para potenciar a luta contra as Organizações de Tráfico de Drogas (DTOs). Sua declaração marca uma intensificação da campanha militar dos EUA, que já identifica os grupos de narcotraficantes como alvo, independentemente de sua localização, desde que estejam envolvidos com o tráfico de drogas ou representem uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos e de seus aliados.

No discurso, o secretário também estabeleceu comparações com estratégias utilizadas contra organizações terroristas reconhecidas, como Al-Qaeda e Daesh, colocando em perspectiva a seriedade com que os EUA encaram a situação do narcotráfico na região. Hegseth reiterou a intenção de formar capacidades operacionais em terra semelhantes àquelas empregadas nas operações contra lanchas de narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, que, desde setembro do ano passado, resultaram em um número elevado de vítimas.

Esse anúncio acontece em um momento em que a Colômbia acaba de se integrar à Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis, uma aliança antidrogas que conta com a participação de 19 países, mas notavelmente exclui o México e o Brasil. Hegseth deixou claro que a atuação dos Estados Unidos não depende do envolvimento formal nessa coalizão, sinalizando que os esforços podem se desdobrar em outras partes da América Latina.

A intensificação da campanha coincide com uma crescente propensão da administração americana em classificar grupos relacionados ao narcotráfico como terroristas, uma estratégia que gerou críticas, particularmente do Brasil, relacionado a questões de soberania. Hegseth defendeu que as forças armadas e os mecanismos de segurança dos EUA sejam acionados para combater esses grupos, ao invés de depender exclusivamente do sistema judiciário, que, segundo ele, muitas vezes resulta na libertação de criminosos.

A proposta de aumentar a presença militar dos EUA na América Latina levanta questões complexas sobre a soberania nacional e a eficácia de uma abordagem que se distancia dos métodos tradicionais de combate ao narcotráfico, prometendo um novo capítulo nas relações de segurança na região.

Sair da versão mobile