EUA Consideram Expansão de Operações Antidrogas na América Latina
Os Estados Unidos estão avaliando a possibilidade de implementar ataques terrestres contra organizações ligadas ao narcotráfico na América Latina. Essa estratégia surge quase dois meses após a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As declarações sobre essa possibilidade foram feitas pelo secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, durante uma visita ao Panamá, onde destacou a intenção de ampliar a campanha militar contra o tráfico de drogas.
Hegseth explicou que a nova abordagem dos EUA pretende identificar qualquer grupo que represente uma ameaça aos interesses americanos e de seus aliados, independentemente de sua localização. A proposta de expandir essas ações terrestre se baseia em táticas já utilizadas contra embarcações de narcotraficantes no Caribe e no leste do Oceano Pacífico, que resultaram em um número significativo de mortos nos últimos meses.
A ampliação das operações americanas no território latino-americano não está condicionada à participação dos países na Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis, um esforço liderado pela Casa Branca que já conta com a adesão de 19 nações, excluindo Brasil e México. Mesmo assim, Washington está determinado a agir conforme as circunstâncias exigirem, enfatizando que a nova estratégia será similar à utilizada contra organizações como Al-Qaeda e Daesh.
Além disso, Hegseth defendeu a utilização da estrutura militar e de segurança dos EUA para combater essas organizações, rejeitando as abordagens tradicionais de perseguição criminal, que ele considera ineficazes. “Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir essas redes com todas as capacidades do governo americano”, afirmou.
Esse cenário levanta preocupações sobre a soberania de países latino-americanos, especialmente em meio a críticas de interferência externa, como foi o caso da classeções dos grupos brasileiros como terroristas. A crescente militarização da resposta ao narcotráfico põe em pauta a segurança regional e a diplomacia entre os países da América Latina e os EUA.




