Estados Unidos Propondo Tarifas de 25% sobre Mercadorias Brasileiras Após Investigação Comercial
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação de longo prazo contra o Brasil, resultando em uma proposta que pode impor tarifas de até 25% sobre diversas mercadorias brasileiras. A proposta, no entanto, contempla uma lista específica de produtos que ficariam isentos dessa penalização. Essa investigação foi realizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que confere ao governo americano a autoridade de investigar e contestar práticas comerciais que possam prejudicar as empresas dos Estados Unidos.
De acordo com o USTR, ações e políticas adotadas pelo governo brasileiro foram consideradas “irrazoáveis” e que elas “oneram ou restringem” o comércio americano. A conclusão do inquérito abre espaço para medidas corretivas e iniciar uma nova fase de consulta pública, antes que as sanções sejam efetivamente implementadas. A investigação foi iniciada em julho de 2025 por determinação do então presidente Donald Trump, com um prazo legal fixado até julho de 2026 para decidir sobre possíveis sanções.
A proposta de tarifa abrangeria mercadorias brasileiras em geral, embora uma lista de 73 páginas mencionasse as exceções. Produtos como materiais informativos, doações, certos tipos de carnes, frutas, café, chá, cereais, minerais, peças aeronáuticas e produtos químicos orgânicos se encontram entre os isentos.
Vale destacar que a proposta surge em um contexto de negociações oferecidas por um grupo de trabalho entre Brasil e Estados Unidos, criado para discutir questões comerciais e evitar a implementação de novas tarifas. Apesar dos esforços, fontes ligadas às negociações indicam que não houve progresso suficiente para encerrar as discussões previstas para 5 de junho.
O embaixador e Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ressaltou que, embora o diálogo tenha se intensificado, divergências significativas permanecem entre os países. As críticas do USTR a práticas do Brasil abrangem várias áreas, incluindo questões de comércio digital, utilização do sistema de pagamento Pix, desmatamento, e a falta de efetividade em combater corrupção e proteger a propriedade intelectual. A investigação menciona que decisões da justiça brasileira impactaram significativamente empresas americanas de mídia social, gerando preocupações sobre a liberdade de expressão.
Historicamente, o Brasil já enfrentou questionamentos pela aplicação da Seção 301 em investigações anteriores nos anos 1980, relacionadas principalmente ao acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro. Embora o uso dessa seção não seja comum, outros países também foram alvos de investigações semelhantes, destacando a relevância e a complexidade das relações comerciais no cenário internacional.
Se as tarifas forem implementadas, o Brasil poderá buscar suporte na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que poderia levar a um processo demorado, com duração média de três a quatro anos. Essa situação promete novos desdobramentos no relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos, à medida que as partes envolvidas analisam as possíveis consequências de tais medidas.
