A resposta de Pequim não tardou a chegar. A embaixada chinesa na Argentina manifestou “forte descontentamento e firme rejeição” às falas do diplomata, considerando-as preconceituosas e provocadoras. Em sua nota, o governo chinês acusou Lamelas de difamar a cooperação entre a China e a Argentina e cobrou de Washington medidas concretas que favoreçam o desenvolvimento do país sul-americano, ao invés de enfatizar uma suposta “ameaça chinesa”.
As declarações de Lamelas não são isoladas. Antes mesmo de assumir o cargo, ele havia manifestado a intenção de realizar um monitoramento das províncias argentinas para garantir que não fossem firmados acordos com a China, indicando a preocupação com potenciais riscos de corrupção. Para o analista internacional Tadeo Casteglione, as palavras do embaixador evidenciam uma clara ingerência da política externa dos EUA sobre a Argentina, perfeitamente alinhadas com a administração do presidente argentino, Javier Milei, e sua afinidade com o governo de Donald Trump.
Casteglione ainda defendeu que a China, com sua resposta, não apenas protege seu comércio bilateral, mas também tenta manter sua posição na dinâmica latino-americana. Por outro lado, o governo de Milei se vê em uma encruzilhada: precisa decidir entre fortalecer laços com a China, gigante econômico, ou se submeter às pressões de Washington, que se opõe a tal aproximação.
Enquanto isso, o analista Ezequiel Magnani afirma que a postura de Lamelas, que viaja pelo país promovendo uma imagem agressiva da China, é calculada e tem o respaldo do governo argentino. Embora suas declarações possam não ter um impacto imediato, buscariam, segundo Magnani, restringir a capacidade de manobra dos países latino-americanos e enviar uma mensagem clara a Pequim.
A paciência chinesa nesse cenário é notável, já que, enquanto expressa descontentamento, continua a buscar cooperações em outros países da região. Nesse sentido, a Argentina se vê em uma situação complicada, que poderia limitar suas oportunidades estratégicas devido a um alinhamento exclusivo com um único parceiro, em detrimento dos outros atores no continente.







