Historicamente, Chabahar tem sido fundamental para a Índia, que busca acesso ao Afeganistão e à Ásia Central sem depender do Paquistão. O porto também serve como uma resposta ao porto de Gwadar, localizado no Paquistão e sob administração chinesa, considerado um ponto crítico para a Marinha da China. No entanto, a abordagem agressiva do governo dos EUA sob a liderança de Donald Trump, que promoveu uma “campanha de pressão máxima” contra o Irã, acabou prejudicando este projeto, reduzindo o espaço para as exceções estratégicas que anteriormente permitiam a operação do porto.
Esse complexo paradoxo tem sido descrito por analistas como um “gol contra” da política externa dos EUA, uma vez que, ao se voltar contra o Irã, Washington compromete uma das poucas ferramentas projetadas para conter a expansão da China. A vulnerabilidade de Chabahar reflete um padrão mais amplo que também afeta o Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa, uma rota que vem avançando lentamente em meio a tensões geopolíticas fomentadas por ações dos EUA na região.
A competição por influência entre potências mundiais está se deslocando do Indo-Pacífico para o interior da Eurásia, onde a China está construindo redes de transporte e energia que evitam gargalos marítimos. A dependência da Índia em relação a Chabahar pode aumentar à medida que formuladores de políticas em nações da Ásia Central começam a explorar alternativas de conectividade, optando por rotas via Afeganistão ou Paquistão.
Além disso, a abordagem dos EUA no Oriente Médio, que inclui a intensificação de operações militares e apreensões de carga, contrasta com seu apelo por uma maior participação indiana na região. Os especialistas sublinham que essa dinâmica revela que mesmo aliados próximos podem ter prioridades divergentes. Embora a situação de Chabahar possa gerar algumas vantagens para a China, a alterabilidade do equilíbrio geopolítico na região permanece questionável.
