EUA apoiam Milei e sugerem fim de acordo financeiro com a China durante encontro que marca nova fase de relação bilateral e reformas na Argentina.

No dia 14 de abril de 2025, o presidente da Argentina, Javier Milei, recebeu em Buenos Aires o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em um encontro marcado por promessas de apoio político e financeiro. Bessent, uma figura chave na administração de Donald Trump, elogiou as recentes medidas econômicas do governo argentino, destacando o compromisso de Washington em apoiar Milei em seus esforços para resgatar a Argentina de sua atual crise econômica. O secretário também frisou que o verdadeiro apoio dos EUA estaria condicionado a um distanciamento das relações financeiras com a China, sugerindo que o governo argentino abandonasse o swap de moedas com o gigante asiático.

Esse encontro é emblemático, considerando que acontece em um momento crucial da governança de Milei, com a recente aprovação de um empréstimo de cerca de US$ 20 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse respaldo financeiro é visto como um sinal positivo para os mercados, que reagiram de forma cautelosa às novas políticas econômicas implementadas, como a unificação do câmbio e a liberalização parcial do mercado cambial. No primeiro dia dessa nova fase econômica, o dólar comercial fechou a 1.230 pesos, enquanto o dólar livre estava em torno de 1.210 pesos, sugerindo uma desvalorização controlada que não provocou pânico no mercado.

Analistas políticos, como Sebastián Schulz, afirmam que a estreita relação ideológica entre Milei e a administração Trump simboliza uma aposta estratégica do presidente argentino, que busca alternativas para fortalecer sua posição dentro do cenário político e econômico global. Contudo, Schulz alerta que essa relação não deve ser interpretada como um apoio irrestrito; as medidas protecionistas que a administração Trump está implementando, como tarifas de 10% sobre produtos argentinos, revelam uma dinâmica que pode limitar os benefícios da aparente aliança entre os dois líderes.

Assim, enquanto Milei busca dar um novo rumo econômico à Argentina, a influência americana se mostra crucial, mas também carrega um fardo: a necessidade de alinhar suas políticas exteriores em consonância com os interesses dos Estados Unidos. O futuro da economia argentina e sua relação com o mundo dependerão, em grande parte, da habilidade de Milei em negociar esse delicado equilíbrio.

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