O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, repudiou a manobra, caracterizando-a como desprovida de fundamento jurídico e uma tentativa de manipulação por parte da Casa Branca. Díaz-Canel ressaltou que, apesar dos alertas sobre violações do espaço aéreo cubano por grupos terroristas, os EUA continuam a agir de maneira provocativa.
O chanceler Bruno Rodríguez reforçou essa visão, afirmando que a acusação é uma forma de aumentar a pressão econômica e política sobre o povo cubano, destacando a parceria dos EUA em ações violentas contra a ilha. Já o primeiro-ministro, Manuel Marrero, enfatizou o apoio popular a Raúl Castro, que, segundo ele, é fundamentado em sentimentos de amor e respeito.
Historiadores e especialistas como Abel Aguilera argumentam que essa ação dos Estados Unidos integra uma estratégia mais ampla de pressão sobre regimes latino-americanos considerados adversários, alinhando-se a um padrão de imposição de sanções e tarifas. Aguilera criticou as sanções direcionadas a membros do governo cubano, considerando-as absurdas e evidentes da hipocrisia que permeia as relações internacionais, principalmente quando se considera que os EUA realizam operações militares pelo mundo sem sofrer represálias.
Luis René Fernández Tabío, professor da Universidade de Havana, afirmou que a denúncia visa criar um “espetáculo político”, especialmente ao ser divulgada em uma data simbólica para Cuba, a fundação da República em 1902. Ele observou que a manobra pode mobilizar o eleitorado conservador entre os cubano-americanos em um momento de crise política para o partido republicano.
Por fim, o acadêmico Fabio Fernández observou que a política de pressão dos EUA se intensificou, visualizando uma tentativa de provocar colapsos econômicos e sociais em Cuba. Fernandez advertiu que qualquer tentativa de intervenção militar deve levar em conta a capacidade de resposta das Forças Armadas cubanas e a determinação da população em proteger a soberania nacional. Essa situação, multifacetada e complexa, continua a desafiar a estabilidade nas relações entre Washington e Havana.
