Liderados pela pesquisadora Anya Nugent, os cientistas propõem que a fusão entre um remanescente estelar compacto e uma estrela Wolf-Rayet oferece uma explicação mais completa para as propriedades observadas dos LFBOTs, além dos ambientes onde eles se manifestam. Esses eventos chamam atenção por sua rápida evolução, alcançando o pico de brilho em poucos dias e mantendo uma coloração azul, indicativa de temperaturas extremamente altas durante a maior parte de sua vida. Esta dinâmica contrasta com fenômenos como supernovas, que normalmente levam semanas ou meses para atingir seu máximo e, posteriormente, desaparecer.
Estudos anteriores tentaram relacionar os LFBOTs a supernovas de colapso de núcleo ou eventos de ruptura de maré, mas análises das galáxias que abrigam esses fenômenos mostram que essa conexão não se sustenta. Nugent afirma que os LFBOTs ocorrem em regiões que não coincidem com os ambientes típicos dessas explosões, sugerindo que suas estrelas progenitoras são, de fato, diferentes.
O cenário proposto da colisão entre um buraco negro ou estrela de nêutrons e uma estrela Wolf-Rayet destaca a complexidade necessária para a formação deste sistema binário. Ele implica na existência de uma configuração específica, onde uma estrela “canibaliza” a outra, levando ao surgimento do LFBOT após a destruição do núcleo da Wolf-Rayet.
Adicionalmente, os LFBOTs são frequentemente encontrados afastados de suas áreas de origem, o que poderia ser explicado pelo “chute” gravitacional proporcionado pelo colapso inicial da estrela do sistema binário. Esse deslocamento leva a uma distribuição que foge do padrão observado em supernovas.
Outro aspecto intrigante é que os LFBOTs parecem se formar em ambientes densos, repletos de material ejetado pela estrela progenitora. Os pesquisadores reconhecem que o modelo precisa de validação através da coleta de mais dados. Para isso, o Observatório Vera Rubin e o Levantamento de Legado do Espaço e do Tempo (LSST) terão papéis cruciais nos próximos anos, ao monitorar o céu e detectar eventos ainda mais fracos e distantes. Isso permitirá que a comunidade científica compreenda melhor a evolução desses fenômenos ao longo do tempo cósmico.
