Os pesquisadores aplicaram técnicas de análise de redes e estatística para explorar a coocorrência, o posicionamento e a orientação das figuras. Observou-se que a maioria dos animais pintados seguia um padrão direcional: os cavalos eram frequentemente voltados para a direita, enquanto bisões e outros animais estavam geralmente orientados para a esquerda. Este fenômeno foi consistentemente identificado em diversas cavernas, o que sugere a existência de uma estratégia de representação artística compartilhada entre os paleolíticos.
Em vez de atribuir uma única interpretação simbólica a essas imagens, o estudo tratou a arte rupestre como um sistema visual, validando sua estrutura interna através de métodos analíticos como redes e árvores de expansão mínima. Além de corroborar observações arqueológicas prévias, o estudo desafia a ideia da lateralidade direita, já que as figuras mais comuns são os cavalos, que frequentemente estão voltados para essa direção. Os autores propõem, assim, a existência de um código gráfico que, com o tempo, pode ter perdido seu significado original.
É ainda ressaltado que a divulgação pública dos dados e métodos utilizados na pesquisa possibilita comparações com outras regiões e oferece um referencial que pode ser aplicado a sistemas simbólicos antigos, como escrituras e inscrições. Essa pesquisa, portanto, não apenas ilumina as práticas artísticas do passado, mas também estabelece conexões que aprofundam a compreensão da lógica visual que pode ter prevalecido entre os humanos pré-históricos. Esse trabalho contribui para uma leitura mais rica e contextualizada da arte rupestre da Idade do Gelo, sugerindo que, mesmo envolta em mistério, essa arte obedeceu a preocupações estéticas bem definidas ao longo do tempo.
