Os pesquisadores analisaram mais de mil ossos fósseis, predominantemente de antílopes e outros animais herbívoros. A presença de marcas de cortes profundos, resultantes do uso de ferramentas de pedra, e sinais de impacto em alguns ossos, indicam que esses hominídeos estavam envolvidos em atividades semelhantes às de açougueiros modernos. Notavelmente, as pegadas deixadas por carnívoros nos restos eram raras, o que sugere que os humanos logo se tornaram protagonistas na manipulação das carcaças, chegando a elas antes que predadores tivessem a chance de se alimentar.
Além disso, a descoberta de marcas nas hastes ósseas sugere que os primeiros humanos extraíam cuidadosamente a medula dos ossos, um recurso que oferece uma alta concentração de calorias e gorduras — essenciais para sustentar suas energias em crescimento. Outra evidência crucial é a identificação de um padrão de transporte: os hominídeos pareciam selecionar e transportar as partes mais nutritivas das carcaças para locais mais seguros, onde poderiam processá-las adequadamente.
Essas táticas de forrageamento, que evidentemente persistiram ao longo de longos períodos, impulsionaram não apenas a dieta dos hominídeos, mas também tiveram um papel fundamental na evolução de seus cérebros, facilitando o desenvolvimento de comportamento social mais complexo e organizado. A pesquisa emerge como um testemunho da inteligência e adaptabilidade dos primeiros humanos em face de um ambiente desafiador, contribuindo para a narrativa sobre como as habilidades alimentares moldaram a trajetória evolutiva da nossa espécie.
