Na 16ª edição do Festival de Cinema de Futebol, conhecido como Cinefoot, o longa-metragem Copinha, dirigido por Joaquim Salles, foi agraciado com o prêmio de Melhor Filme na mostra competitiva internacional. Este festival é um importante espaço para a celebração de obras cinematográficas que possuem o futebol como tema central, e a vitória de Salles destaca a relevância da narrativa sobre os desafios enfrentados por jovens atletas.
Joaquim Salles, sobrinho do renomado cineasta Walter Salles, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional com Ainda Estou Aqui, e filho do documentarista João Moreira Salles, traz uma perspectiva única para o cinema. Copinha narra a trajetória do Esporte Clube Macapá na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2024, evento considerado o principal torneio de futebol sub-20 do planeta. O filme capta a luta pela visibilidade de atletas que vivem afastados dos grandes centros do esporte, um desafio que ressoa profundamente com muitos jovens que sonham em brilhar nas arenas do futebol profissional.
O festival ocorreu entre os dias 6 e 11 de outubro no Rio de Janeiro, com exibições em quatro salas, e no Museu do Futebol em São Paulo, onde as obras foram projetadas gratuitamente. Copinha emocionou o público e conquistou o prêmio através de votações populares, destacando-se entre produções de países como Argentina, Espanha e Reino Unido.
Além de Copinha, outros filmes também se destacaram na competição. O curta-metragem Camisa 9, dirigido por Guilherme Baptista, foi reconhecido como Melhor Curta-Metragem, apresentando a história dos jornalistas negros da família Baptista, que revolucionaram a forma de tratar o futebol na televisão nos anos 1980, introduzindo representatividade em um meio tradicionalmente homogêneo.
Dentre os prêmios, o Troféu João Saldanha, dedicado a produções que ressaltam o aspecto humano e democrático do futebol, foi concedido ao documentário Coligay. Este filme revive a história de uma torcida do Grêmio, que se destacou como a primeira torcida 100% gay do Brasil, surgindo em um contexto sociopolítico desafiador durante a ditadura militar.
Por fim, o Troféu Museu da Pelada foi direcionado ao documentário Várzea, de D’Andrade, que retrata as memórias do futebol amador jogado em campos de terra batida, ressaltando o desaparecimento desses espaços que foram fundamentais para tantas gerações de jogadores.
O Cinefoot, portanto, não apenas celebra o futebol em sua essência, mas também transmite reflexões sobre identidade, inclusão e a memória coletiva que o esporte representa para diferentes comunidades.
