Argumentando que a promoção de bebidas açucaradas durante um evento de tamanha magnitude pode ter impactos prejudiciais à saúde, os ativistas destacam a relação entre o consumo desses produtos e o aumento de condições como obesidade e diabetes. A campanha abrange mais de 100 organizações em diversas nações, com representatividade significativa de grupos focados em saúde, meio ambiente e direitos da criança. Entre as entidades brasileiras envolvidas estão o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Aliança pela Alimentação Saudável.
Estatísticas alarmantes sustentam a urgência deste movimento. Por exemplo, foi constatado que cada aumento de 250 ml na ingestão diária de bebidas adoçadas pode elevar em até 12% o risco de obesidade e em 19% o risco de diabetes tipo 2. Além disso, a pesquisa indica um aumento de 5% na mortalidade por todas as causas associada ao consumo excessivo dessas bebidas. Preocupações não se restringem apenas aos adultos; crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis, uma vez que uma latinha de refrigerante pode ultrapassar a quantidade diária recomendada de açúcar para esse grupo.
Recentemente, cerca de 720 mil pessoas apoiaram a campanha, que inclui uma carta aberta ao presidente da Fifa, Giovanni Infantino, expressando que a associação de bebidas açucaradas a ídolos do futebol e bem-estar é um exemplo de “sportswashing.” A carta ressalta que, durante a Copa de 2026, até 6 bilhões de espectadores, muitos deles jovens, estarão expostos a essa publicidade enganosa.
A diretora executiva do Instituto Desiderata, Renata Couto, reforça que essa estratégia de marketing visa moldar o comportamento alimentar das novas gerações, o que pode resultar em consequências negativas duradouras para a saúde. Esse tipo de pressão não é inédito; no passado, o tabaco também enfrentou dificuldades em relação à sua aceitação em eventos esportivos, culminando na diminuição de sua visibilidade entre patrocinadores na Fórmula 1 nos anos 90 e 2000.
Além disso, a questão da publicidade não se limita às bebidas açucaradas. O aumento das propagandas das plataformas de apostas online está gerando discussões semelhantes, levando recentes ações governamentais que impõem restrições a esses anúncios, contra alertas como “Aposte com responsabilidade”, evidenciando a necessidade de proteger a saúde pública em meio a um cenário de crescente comercialização nas principais competições esportivas.
