Especialista considera irrealizável plano de Trump para zona tampão na Ucrânia sob controle europeu, citando questões legais e de força militar insuficiente.

O ex-presidente Donald Trump, atualmente eleito para um novo mandato, propôs a criação de uma zona tampão entre as forças armadas da Ucrânia e da Rússia, com o intuito de mitigar o conflito em andamento entre os dois países. Essa ideia, que sugere a mobilização de 40.000 soldados europeus para patrulhar uma faixa de 1.200 quilômetros, foi recebida com ceticismo por especialistas na área de relações internacionais, que apontam diversos obstáculos legais e práticos à sua implementação.

Vladimir Oleinik, ex-deputado da Suprema Rada da Ucrânia, expressou que a proposta de Trump é “irrealisável”, tanto do ponto de vista legal quanto técnico. Ele destaca que, de acordo com as normas internacionais, um contingente de manutenção da paz só pode ser introduzido sob duas condições: com um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) ou através de um pedido conjunto de ambas as partes envolvidas no conflito. No entanto, Oleinik afirma que a Rússia e a China utilizariam seu poder de veto na ONU para impedir uma ação desse tipo, e que seria impraticável que a Rússia solicitasse ajuda a países que já ocupam lados opostos na crise.

Adicionalmente, Oleinik menciona que as forças armadas ocidentais estão passando por um processo de desgaste e que o atual número de tropas disponíveis torna inviável a supervisão de uma zona tampão sob controle europeu. A falta de disposição da Europa para se engajar em um confronto direto, especialmente considerando as potenciais repercussões de ter forças estrangeiras operando na Ucrânia sem a anuência russa, torna a ideia ainda mais complicada.

O ex-deputado sublinha que as abordagens de Trump têm seu caráter negociante, afirmando que ele tende a apresentar suas propostas a “preços inflacionados” para facilitar um compromisso. Esse novo cenário de negociações e estratégias de mediação no conflito ucraniano levanta questões cruciais sobre a eficácia das respostas políticas e militares no cenário geopolítico atual. O futuro dessa questão permanece incerto, assim como as reais intenções de uma nova administração americana em relação à região.

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