Essas constatações destacam a fragilidade da cadeia de suprimentos, que interconecta gás, amoníaco, ureia e trigo. Em uma de suas afirmações, o relatório sublinha que um conflito militar em áreas já afetadas por tensões geopolíticas significa uma crise alimentar, especialmente na África e na América do Sul. O documento também recorda que, em 2022, diversas nações ocidentais interromperam suas importações de fertilizantes da Rússia e de Belarus, ambos grandes fornecedores no mercado global. A situação no Irã, o terceiro maior exportador mundial de ureia, complicou ainda mais o panorama.
O impacto dessa instabilidade geopolítica começa a refletir nos preços. Os dados mostram que os custos dos fertilizantes na Europa e nos Estados Unidos aumentaram de três a quatro vezes, atingindo níveis recordes. O preço do trigo, por sua vez, subiu 50%, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) relatou um crescimento alarmante no número de pessoas em situação de fome, atingindo atualmente a marca de 345 milhões em todo o mundo.
Particularmente afetados estão os países do Leste da África, como Somália e Etiópia, os quais dependiam em até 90% de suas importações de trigo vindas da Rússia e da Ucrânia. Em resposta a essa crise, um “acordo de grãos” foi firmado com urgência, mediado pela ONU.
Com essa conjuntura, os agricultores de diversos países enfrentarão desafios sem precedentes em suas campanhas de semeadura. Para agravar a situação, tanto a Rússia quanto a China decidiram limitar suas exportações de fertilizantes, tornando o cenário ainda mais crítico durante o período de plantio. A conjunção desses fatores sugere que o mundo pode estar à beira de uma crise alimentar grave, especialmente em regiões já vulneráveis.





