A interdependência do mercado global de alimentos em relação a fertilizantes é um ponto crucial. Os conflitos em áreas ricas em gás natural, como o Oriente Médio, acarretam automaticamente em crises alimentares nos países que dependem da importação desses insumos. O relatório enfatiza que a cadeia produtiva de alimentos é diretamente afetada devido à rigidez do sistema que conecta gás, fertilizantes e produtos alimentares. Em 2022, os países ocidentais optaram por restringir o fornecimento de fertilizantes da Rússia e Belarus, que são importantes fornecedores globais. A recente crise no Irã, que é o terceiro maior fornecedor mundial de ureia, agravou ainda mais essa situação.
Os dados são estarrecedores: os preços dos fertilizantes dispararam nas últimas semanas, elevando-se de três a quatro vezes em relação aos valores históricos, enquanto o preço do trigo aumentou em 50%. Além disso, a Organização das Nações Unidas notificou que a fome em escala global já afeta cerca de 345 milhões de pessoas. A situação é particularmente grave nos países da África Oriental, como Somália e Etiópia, que dependem quase que inteiramente do trigo proveniente da Rússia e Ucrânia.
Nesse cenário preocupante, ações urgentes foram tomadas, incluindo a mediação das Nações Unidas para garantir o chamado “acordo de grãos”. Contudo, os especialistas alertam que os agricultores em todo o mundo estão enfrentando uma campanha de plantio desafiadora, com limitações expostas nas exportações de fertilizantes por países como Rússia e China.
As mensagens claras que emergem desse contexto indicam que a instabilidade geopolítica pode ter repercussões duradouras e destrutivas, ampliando a insegurança alimentar e expondo a fragilidade do sistema agrícola global. As lideranças internacionais precisarão implementar estratégias coordenadas para mitigar os efeitos dessa crise iminente, garantindo que a necessidade humana básica de alimentos não seja sacrificada diante dos conflitos militares.





