Escândalo no Rio: Ex-assessor de Val Ceasa é exonerado após prisão por ligação com tráfico e apreensão de R$ 320 mil em operação da polícia.

Na última sexta-feira, a Prefeitura do Rio anunciou a exoneração de Michael Johnny, ex-assessor parlamentar do deputado estadual Val Ceasa, do cargo que ocupava na Companhia Municipal de Energia e Iluminação do Rio, a Rioluz. A decisão ocorreu em meio a um clima de crescente tensão, um dia após Johnny ser preso em flagrante durante uma operação policial que investigava suas possíveis ligações com o Terceiro Comando Puro (TCP), uma facção criminosa.

Michael Johnny, que ingressou na Rioluz em fevereiro do ano passado com um salário líquido de R$ 3,4 mil, teve sua exoneração oficializada no Diário Oficial do município. A Prefeitura esclareceu que, na época de sua nomeação, não havia indícios que impedissem sua contratação pela Secretaria de Integridade, mas, devido à gravidade das acusações e à sua prisão, uma exoneração foi inevitável.

Além de Johnny, Val Ceasa e o ex-vereador Ulisses Marins foram alvo de mandados de busca e apreensão na mesma operação. Michael Johnny não estava sozinho em sua situação; sua companheira, Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, também foi presa. Ela é viúva do ex-vereador Zico Bacana, que foi assassinado em 2023, em um crime ligado ao Comando Vermelho, uma facção rival.

Suelen, que também ocupava uma posição na Rioluz, tinha sido admitida em janeiro de 2025, mas foi dispensada pouco antes de sua detenção, no início do mês. Após a morte do marido, ela se lançou na vida política, concorrendo a uma cadeira na Câmara Municipal, mas acabou como suplente, alinhada politicamente com Val Ceasa.

As investigações indicam que Ceasa e Marins podem ter tentado impedir a demolição de um resort de luxo vinculado ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, um dos líderes do TCP. Durante a operação realizada na residência de Ceasa, a polícia confiscou cerca de R$ 320 mil em dinheiro, além de dispositivos móveis dos investigados.

O caso ganhou destaque após a Procuradoria-Geral de Justiça receber informações de que parlamentares teriam buscado a Polícia Militar para obter detalhes sobre uma operação sigilosa relacionada a imóveis do TCP. Este fato, segundo o procurador-geral de Justiça, tem revelado a infiltração do TCP nas estruturas legislativas do Estado, semelhante a casos anteriores envolvendo outras facções.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) se posicionou, afirmando que acompanha de perto a operação do Ministério Público e reafirmando seu compromisso com a transparência e a responsabilidade em relação à população fluminense. O desenrolar dessa investigação pode trazer à tona a complexa relação entre política e crime organizado na região.

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