Campinas, abril de 2026 — No Brasil, empresas do middle market estão adotando uma abordagem estratégica em relação ao processo de fusões e aquisições (M&A), ampliando seu valor e minimizando riscos operacionais, mesmo que não tenham intenção imediata de venda. Em um período em que o mercado de M&A movimentou aproximadamente US$ 51 bilhões em 2025, representando uma elevação de 8% em comparação ao ano anterior, observa-se um incremento significativo nas organizações que adotam práticas que garantem a preservação do valor de seus ativos.
Lucas Mendes, fundador e CEO de uma consultoria especializada em M&A, ressalta que essa mudança de mentalidade impacta diretamente o posicionamento das empresas no mercado. Segundo ele, “as empresas que não se preparam para M&A são avaliadas pelo risco que não controlam”. Quando uma organização implementa governança, previsibilidade e clareza financeira, transforma-se de uma operação convencional em um ativo estratégico.
Este movimento reflete a tendências globais no setor de fusões e aquisições, que atingiu a marca de US$ 4,9 trilhões em 2025, caracterizando o segundo maior volume histórico. O setor de tecnologia liderou o crescimento com uma valorização de 77%, seguido pelo setor de manufatura avançada, que viu uma elevação de 40%, e serviços financeiros, com 57%. No Brasil, foram registradas 1.644 transações, com um aumento de 5% no volume de negociações e 6% no capital mobilizado em relação a 2024, conforme dados de relatórios setoriais.
O middle market brasileiro, que abrange empresas com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 500 milhões, experimentou um crescimento mais pronunciado, com operações aumentando 10,1% em 2024. Nesse contexto, 65% das transações foram realizadas por valores inferiores a R$ 50 milhões, com São Paulo concentrando 52% dos negócios, o que reafirma a centralidade do estado no ecossistema nacional de M&A.
Contudo, esse crescimento ainda é ofuscado pela falta de preparo em muitas organizações, o que compromete a efetividade das operações. Estudos apontam que 70% a 75% das fusões no mundo falham em atingir suas metas, atribuídas a falhas na integração cultural, superavaliação de ativos e problemas de governança. No Brasil, as fraquezas estruturais, como informações contábeis de má qualidade e elevada concentração de receita, pressionam as avaliações e podem inviabilizar negociações.
Diante desse panorama, a preparação para M&A deve ser vista como um modelo de gestão contínuo. Empresas que se tornam consideradas “M&A-ready” desenvolvem competências em governança estruturada, controle de capital de giro e estratégias de retenção de talentos. Essa abordagem também permite corrigir falhas frequentes, como a dependência excessiva do fundador nas decisões e a falta de acordos formais entre sócios.
Mendes conclui que quando a preparação para M&A deixa de ser um evento isolado e passa a ser um processo contínuo, a empresa não apenas melhora sua eficiência, como também reduz custos de capital e amplia suas opções estratégicas para crescimento, captação ou venda no futuro.







