El Chapo solicita extradição ao México em carta ao tribunal dos EUA, alegando violação de direitos e pedindo novo julgamento.

O narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán, atualmente cumprindo uma sentença de prisão perpétua nos Estados Unidos, voltou a atrair a atenção da mídia ao enviar uma nova carta ao tribunal federal do distrito leste de Nova York, localizado em Brooklyn. Datada de 23 de abril e protocolada em 1º de maio, a correspondência clama pela sua extradição ao México, onde ele deseja enfrentar acusações pendentes e, conforme argumenta, reivindica que seus direitos foram violados durante o processo judicial americano.

Na carta, escrita em inglês e com diversos erros gramaticais, Guzmán opta por se dirigir diretamente ao juiz federal, sem o intermédio de advogados, o que é um procedimento incomum em casos desse porte. O documento foi recebido pelo “Pro Se Office”, setor responsável pelo registro de materiais apresentados sem representação profissional. Ele menciona estar “lutando por uma liberação por extradição de volta ao México” e busca um tratamento igualitário perante a lei, alegando que existem “provas difíceis” que não foram devidamente consideradas no julgamento que culminou em sua condenação.

Guzmán sugere que a conclusão de uma instância recursal em andamento poderia possibilitar um novo julgamento e propõe que as autoridades mexicanas e americanas colaborem para facilitar sua volta ao país natal. No entanto, a carta não apresenta detalhes concretos sobre as supostas irregularidades no seu julgamento nem cita decisões judiciais relevantes que possam fundamentar seu pedido.

Atualmente detido na penitenciária de segurança máxima ADX Florence, no Colorado — famosa por abrigar alguns dos criminosos mais perigosos dos EUA — Guzmán já havia se manifestado em outras ocasiões sobre as condições de detenção e o tratamento que recebe das autoridades americanas.

Considerado um dos mais influentes traficantes da história recente, El Chapo liderou o Cartel de Sinaloa, responsável pela distribuição massiva de drogas nos Estados Unidos, incluindo cocaína, maconha e substâncias sintéticas. Sua trajetória é marcada por fugas audaciosas: em 2001, escapou de uma prisão de segurança máxima escondido em um carrinho de lavanderia e, em 2015, novamente conseguiu a liberdade através de um túnel de aproximadamente 1,5 quilômetro.

Recapturado em 2016 e extraditado para os EUA, ele foi condenado em 2019 por múltiplas acusações, incluindo tráfico internacional de drogas e participação em organização criminosa. Desde então, seus esforços para anular a condenação têm sido sistematicamente negados pelos tribunais norte-americanos, com o Tribunal de Apelações do Segundo Circuito confirmando a decisão do júri de Brooklyn em 2022. As próximas etapas jurídicas de Guzmán se desenham em um cenário complexo, que poderá incluir novos desdobramentos com seu pedido de extradição.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo