Diante dessa preocupação, o governo federal lançou uma consulta pública para elaboração de um guia com orientações sobre o uso de telas e aparelhos digitais por crianças e adolescentes. Essa iniciativa busca propor medidas para lidar com os problemas decorrentes do uso excessivo e inadequado desses dispositivos, levando em consideração o modelo de negócios das plataformas digitais que, segundo Brant, tem agravado a situação.
O secretário ressalta que o atual modelo de negócios dessas plataformas está baseado na economia da atenção, ou seja, são desenvolvidos produtos com o objetivo de maximizar o engajamento e o tempo de uso dos dispositivos, sem considerar o bem-estar das crianças e adolescentes. Essa questão precisa ser tratada de forma equilibrada, levando em consideração tanto os interesses comerciais das plataformas quanto a saúde física e mental dos jovens.
A consulta pública ficará disponível por 45 dias na plataforma Participa + Brasil, e a elaboração do guia será feita a partir das informações coletadas nesse período. Será formado um grupo de trabalho com especialistas no assunto, e estima-se que o guia fique pronto em cerca de um ano.
A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, destaca a importância de uma mobilização da sociedade para conduzir o processo de cultura e uso das mídias digitais de forma adequada. Ela ressalta que o uso não cuidado, não monitorado e não supervisionado dos dispositivos tem causado efeitos adversos na saúde física e mental das crianças, o que é motivo de grande preocupação.
O governo espera receber contribuições de especialistas, órgãos públicos, iniciativa privada, organizações da sociedade civil, pais, mães, familiares, profissionais da educação, saúde e assistência, além das próprias crianças e adolescentes. Empresas do setor de tecnologia também serão ouvidas durante o processo.
Essa iniciativa é conjunta entre a Secretaria de Políticas Digitais da Secom/PR e os ministérios da Saúde, da Educação, da Justiça e Segurança Pública, dos Direitos Humanos e da Cidadania, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, em parceria com representantes da academia e de organizações da sociedade civil. O objetivo é buscar soluções para lidar com os problemas decorrentes do uso inadequado dos dispositivos digitais por crianças e adolescentes, visando promover um uso saudável e equilibrado dessas tecnologias.
