Das mais de 7,4 mil pessoas que participaram da pesquisa, 86,5% se identificaram como mães. O perfil dos graduandos indica que a média de idade é de 33 anos, e a maioria frequenta aulas presenciais, sendo 43,3% no período noturno. A composição demográfica dos participantes também é significativa: 46% são solteiros, 60,2% se autodeclaram negros, 79,5% estão matriculados em instituições públicas federais, e 59,6% têm apenas um filho.
Outro aspecto alarmante dessa realidade diz respeito à segurança alimentar das crianças desses alunos. Os restaurantes universitários, que deveriam oferecer uma alimentação a preços acessíveis, falham em atender a essa demanda. A pesquisa aponta que 51% dos alunos de graduação com filhos e 49,3% dos da pós-graduação relatam que suas crianças não têm acesso a alimentação nos restaurantes, e apenas uma fração consegue usufruir desse benefício de forma gratuita. Além disso, um percentual alarmante de estudantes não tem clareza sobre o direito de seus filhos à alimentação, evidenciando a falta de informação e uma possível falha na comunicação institucional.
A vulnerabilidade social se torna ainda mais evidente ao observar que 16,1% dos estudantes vivem sem nenhum rendimento e 14,5% ganham até meio salário-mínimo. Somente 2,5% relatam ter renda superior a dez salários-mínimos. O apoio familiar é crucial, mas muitos estudantes se sentem sozinhos nessa luta diária, com apenas 5,9% tendo condições de contratar ajuda, como babás, e uma pequena fração se utilizando de serviços públicos ou ONGs para suporte.
No âmbito da pós-graduação, o cenário é um pouco diferente: a maioria dos alunos se declara branca e a situação econômica tende a ser melhor, com uma taxa menor de estudantes em situação de pobreza extrema. Contudo, a diferença de renda entre graduandos e pós-graduandos destaca a necessidade urgente de políticas públicas que abordem as lacunas existentes, garantindo que essas jovens mães e pais possam conciliar sua formação acadêmica com as responsabilidades familiares. As análises demonstram uma pressão crescente sobre a necessidade de medidas que ofereçam um suporte mais robusto e inclusivo, que leve em consideração as complexidades da vida familiar e acadêmica.
