Os dados referentes a esse atendimento foram apresentados recentemente em um diagnóstico nacional, que compila informações de 530 das 585 unidades especializadas presentes em todo o território brasileiro. Este levantamento foi publicado em meio à celebração dos 20 anos da Lei Maria da Penha, uma legislação que visa proteger os direitos das mulheres e combater a violência de gênero. No contexto geográfico, a Região Sudeste se destacou, concentrando 125.769 vítimas, o que representa 47,8% do total nacional. As regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Norte apresentaram números inferiores, com 20,2%, 16,6%, 8,0% e 7,5%, respectivamente.
Entre os tipos de ocorrência, as ameaças lideraram os registros, com 148.544 casos, seguidas por lesões corporais, com 99.473, e injúrias, com 88.739. O levantamento também revelou um aumento significativo nos casos de perseguição e violência psicológica, indicando uma evolução na forma como as vítimas compartilham suas experiências. Além disso, as unidades especializadas geraram 302.626 pedidos de medidas protetivas de urgência, com 118.672 dessas solicitações sendo concedidas, embora um número preocupante de 38.214 medidas tenha sido descumprido pelos agressores.
Desde a criação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres em 1985, em São Paulo, o Brasil viu um crescimento contínuo nas unidades especializadas, que hoje somam 585. Esses locais contam com aproximadamente 6.200 profissionais, incluindo delegados e assistentes sociais, treinados para atender a esse público vulnerável.
Contudo, o diagnóstico também revela diversas carências. Surpreendentemente, 80% das unidades ainda não operam em regime 24 horas, e há uma necessidade urgente de investimento em recursos de investigação e infraestrutura, como viaturas e materiais de menor potencial ofensivo. Esses desafios mostram que, apesar dos avanços, o caminho para um atendimento eficaz e abrangente ainda é longo e repleto de obstáculos.
