EDUCAÇÃO – Inscrições para Olimpíada Brasileira de Africanidades encerram na sexta; mais de 100 mil alunos esperados nas provas sobre letramento étnico-racial em 2026.

As inscrições para a Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo) encerram na próxima sexta-feira, 8 de setembro. O evento foi criado para valorizar a inclusão do letramento étnico-racial nas instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas. Podem participar alunos desde o 2º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, engajando jovens em reflexões sobre diversidade e identidade cultural.

Em suas duas edições anteriores, realizadas em 2022, a Obapo mobilizou mais de 33 mil alunos. Para 2026, as expectativas são ainda mais grandiosas, com a meta de atrair mais de 100 mil participantes, um crescimento preocupante em um ambiente educacional que busca diversidade e inclusão. As inscrições estão abertas tanto para escolas como para estudantes individuais, desde que acompanhados por um responsável maior de 21 anos. Para os estudantes individuais, a taxa de inscrição é de R$ 65, enquanto as escolas pagam R$ 440 para instituições públicas e R$ 880 para privadas.

As provas serão aplicadas de 13 a 29 de maio de forma remota, sob a supervisão de profissionais da escola. Embora a aplicação presencial com versão impressa possa ser permitida em casos excepcionais, as instituições devem formalizar esse pedido. A coordenadora pedagógica da Obapo, Érica Rodrigues, destaca que 70% das inscrições vêm de escolas públicas, com uma presença significativa de escolas municipais e estaduais, além de institutos federais.

A participação tem sido especialmente forte na região Nordeste do Brasil, com o Sudeste também se destacando, embora até agora apenas o Acre não tenha aderido ao projeto. O apoio de secretarias de educação municipais, como a de Oeiras no Piauí, demonstra a eficácia da Olimpíada em engajar diversas escolas.

Érica Rodrigues também enfatiza a importância da Obapo para o orgulho de crianças e adolescentes indígenas e quilombolas, que enxergam na competição uma forma de reafirmar suas identidades. As discussões abordadas nas provas incluem relevâncias contemporâneas, como racismo ambiental, preconceito linguístico e colonialidade, sempre se alinhando às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Além disso, recursos têm sido desenvolvidos por especialistas para dar suporte aos educadores na promoção de uma educação mais equitativa e antirracista. A Obapo se apresenta não apenas como uma competição, mas como um movimento contínuo rumo à igualdade na educação, abordando as disparidades enfrentadas por grupos racializados e buscando garantir que todos tenham acesso a uma educação digna e justa.

Sair da versão mobile