O estudo, que abrangeu 2.712 redes de ensino e foi concluído no final do ano passado, destaca a importância da formação adequada e do acompanhamento constante para enfrentar os desafios que a educação infantil enfrenta no Brasil. Um dado relevante é que 20% das secretarias de educação municipais não possuem qualquer tipo de programa para a primeira infância, o que evidencia lacunas significativas na oferta educacional.
Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, aponta a necessidade de mecanismos de monitoramento e padronização para garantir que as crianças recebam uma educação equitativa, independentemente de estarem em escolas diretas ou conveniadas. Além disso, o relatório também ressalta que 23% das prefeituras não têm clareza acerca das práticas de letramento matemático e linguístico dentro das unidades conveniadas, que são instituições parceiras criadas para ampliar a oferta de vagas.
O presidente da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, reforça que a educação infantil é um estágio fundamental na trajetória educacional. Ele enfatiza a abordagem colaborativa entre as redes de ensino e a importância de ações que considerem as especificidades e demandas de cada comunidade.
Embora 67% das redes municipais recebam suporte das secretarias estaduais de educação, um terço delas enfrenta a falta de apoio. As principais dificuldades incluem a necessidade de recursos financeiros, capacitação profissional e a disponibilização de materiais didáticos.
Adicionalmente, os dados apontam que 63% dos municípios utilizam a matriz curricular estadual em um regime de colaboração, mas uma preocupação emergente é a fragilidade na transição das crianças do ambiente da educação infantil para o ensino fundamental, onde 17% dos municípios não desenvolvem um planejamento articulado entre as duas etapas.
Em relação à inclusão, apenas 28% das secretarias estão implementando propostas voltadas à educação de populações historicamente vulneráveis, evidenciando uma necessidade urgente por políticas mais eficazes. Por fim, o relatório conclui que, enquanto houver uma necessidade crítica de vagas, há uma carência ainda mais premente por práticas de qualificação no ambiente escolar, indicando que políticas públicas devem evoluir para não apenas abrir novas vagas, mas para garantir ambientes educacionais adequados e inclusivos.
