É importante ressaltar que o recorde mensal histórico de vendas do Tesouro Direto ocorreu em março deste ano, quando atingiu a marca de R$ 6,842 bilhões. No entanto, o mês passado foi caracterizado por fortes instabilidades no mercado financeiro global, o que reduziu o interesse de alguns investidores em adquirir títulos públicos.
Segundo os dados divulgados, os títulos mais procurados pelos investidores em setembro foram os corrigidos pela Selic, com uma participação de 64,4% nas vendas. Os títulos vinculados à inflação corresponderam a 20,5% do total, enquanto os prefixados representaram 10,4%.
O Tesouro Renda+, que foi lançado no início deste ano com o objetivo de financiar aposentadorias, respondeu por 3,9% das vendas. Já o novo título Tesouro Educa+, que pretende financiar uma poupança para o ensino superior, atraiu apenas 0,9% das vendas em seu segundo mês de comercialização.
Um dos fatores que justifica o interesse dos investidores por papéis vinculados aos juros básicos é o alto nível da Taxa Selic. Embora tenha havido uma queda nos juros básicos nos últimos meses, atualmente em 12,75% ao ano, as taxas continuam atrativas, o que tem estimulado os investidores a adquirirem títulos públicos.
Em relação ao estoque total do Tesouro Direto, o valor alcançou R$ 123,35 bilhões no final de setembro, o que representa um aumento de 2,5% em relação ao mês anterior e de 42,1% em comparação com setembro do ano passado. Essa alta ocorreu porque as vendas superaram os resgates em R$ 1,74 bilhão no último mês.
Além disso, o estoque total do Tesouro Direto ultrapassou o valor de R$ 120 bilhões pela primeira vez, mês passado. No final de setembro, o volume de títulos associados ao programa somava R$ 121,611 bilhões, representando um aumento de 1,43% em relação ao mês anterior e de 23,5% em relação a setembro do ano passado. Mais uma vez, essa alta foi impulsionada pelo fato de as vendas terem superado os resgates no valor de R$ 758,7 milhões no mês passado.
Em relação ao número de investidores, 354,6 mil novos participantes se cadastraram no programa no último mês. O total de investidores atingiu a marca de 25.830.465, acumulando um aumento de 22,1% nos últimos 12 meses. Já o total de investidores ativos, ou seja, aqueles com operações em aberto, alcançou 2.403.490, registrando um aumento de 15% ao longo do ano.
Uma observação interessante é que a utilização do Tesouro Direto por pequenos investidores pode ser notada pela quantidade considerável de vendas de até R$ 5 mil. Essas operações representaram 84,6% do total das vendas realizadas em setembro, enquanto as aplicações de até R$ 1 mil corresponderam a 63,1%. O valor médio por operação foi de R$ 5.455,25.
Outro dado relevante é que os investidores têm preferido papéis de médio prazo, com títulos com prazo entre 1 e 5 anos representando 33,4% das vendas e aqueles com prazo entre 5 e 10 anos correspondendo a 49,3% do total. Já os papéis de mais de dez anos de prazo representaram 17,3% das vendas.
O Tesouro Direto foi criado em 2002 com o objetivo de popularizar esse tipo de investimento, permitindo que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional, por meio da internet, sem a necessidade de intermediários financeiros. O aplicador precisa apenas realizar o pagamento de uma taxa semestral para a B3, que é responsável pela custódia dos títulos.
A venda de títulos públicos é uma das formas que o governo utiliza para captar recursos e honrar seus compromissos financeiros. Em troca do investimento, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor aplicado juntamente com um adicional que pode variar de acordo com a Selic, índices de inflação, câmbio ou taxa definida antecipadamente nos papéis pré-fixados.





