ECONOMIA – Vazamento de dados do INSS expõe informações de 2,8 milhões de CPFs, incluindo 52 mil segurados vivos, preocupando especialistas quanto a fraudes financeiras.

Um recente vazamento de dados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) trouxe à tona graves preocupações sobre a segurança das informações pessoais dos segurados. Um total de 2,8 milhões de Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs) foi afetado, de acordo com a Dataprev, a estatal responsável pelo processamento de dados da Previdência Social. O anúncio foi feito durante uma reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) na última terça-feira.

A situação é alarmante não apenas pela quantidade de registros envolvidos, mas também pela natureza das informações expostas. Dos dados vazados, cerca de 98% pertencem a indivíduos já falecidos. No entanto, aproximadamente 52 mil segurados ainda vivos tiveram suas informações expostas, o que é especialmente preocupante. Este número é mais elevado do que a estimativa inicial, que apontava cerca de 2 milhões de registros afetados.

A Dataprev confirmou que o incidente de segurança ocorreu devido a uma falha no aplicativo Meu INSS, onde uma área que deveria exigir autenticação esteve disponível sem a devida proteção. O representante da Dataprev, Edmar dos Santos Ferreira Junior, esclareceu que essa consulta indevida foi acessível durante um período de apenas um dia, mas o potencial para prejuízos foi significativo. Apesar do vazamento, a estatal assegurou que não houve liberação indevida de benefícios ou contratação irregular de empréstimos consignados.

Ao serem notificados do problema, a Dataprev imediatamente tomou medidas para restringir o acesso e corrigir a falha. Além disso, a empresa está implementando novas barreiras de segurança para evitar consultas simultâneas em massa. O INSS, por sua vez, relembrou que a concessão de benefícios envolve diversas etapas rigorosas de validação e controle.

Embora as autoridades garantam que não houve concessão irregular de benefícios, especialistas em segurança digital expressam preocupação sobre os riscos de fraudes. Com informações pessoais de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais potencialmente expostas, a possibilidade de utilização desses dados em fraudes financeiras é uma realidade alarmante.

Este incidente não é isolado; em 2024, o INSS também enfrentou um vazamento de dados que comprometeu a privacidade de segurados. Em resposta a essas falhas, o governo promete reforçar os mecanismos de segurança, mas a confiança dos cidadãos nas instituições pode ser abalada se a proteção de dados não for priorizada de forma eficaz. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) também foi acionada para investigar o caso, refletindo a gravidade da situação.

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