Esse comportamento nas taxas de juros reflete o ciclo de alta da taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária. A Selic é uma ferramenta crucial utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação, e, nesse contexto, a elevação das taxas visa conter a demanda por crédito, tornando-o mais caro e, assim, desincentivando o consumo e promovendo a poupança.
Em termos de crédito livre, a taxa média para as famílias subiu para 58,3% ao ano, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, mas registrando um aumento de 5,7 pontos percentuais em um ano. O cheque especial, por exemplo, apresentou uma alta notável, tendo subido para 137,5% ao ano. Em contrapartida, o cartão de crédito rotativo teve uma redução de 7,9 pontos percentuais, embora ainda permaneça em 441,4% ao ano, uma das taxas mais elevadas do mercado.
Analisando as taxas para empresas, o crédito livre também mostrou uma leve variação, passando para 24,3% ao ano, com um acréscimo de 3,5 pontos percentuais em 12 meses. No que diz respeito ao crédito direcionado, as taxas para pessoas físicas caíram para 11,1% ao ano, enquanto para empresas atingiram 14,1% ao ano, embora tenham registrado aumentos em relação ao ano passado.
Em junho, o volume total de concessões de crédito chegou a R$ 636,9 bilhões, refletindo uma retração de 3,1% em comparação ao mês anterior. Contudo, em um período de 12 meses, as concessões tiveram uma alta nominal de 13,9%. O estoque de empréstimos dos bancos ficou em R$ 6,685 trilhões, o que representa um crescimento gradual.
Além das taxas e volumes de crédito, o endividamento das famílias é um ponto crítico. Em maio, a relação entre dívidas e renda acumulada ficou em 49%, com um discreto aumento em comparação a meses anteriores. O comprometimento da renda, que mede quanto da renda média é destinada ao pagamento de dívidas, também mostrou um aumento, atingindo 27,8%.
Esses indicadores refletem um cenário desafiador, onde, apesar da estabilidade nas taxas em curto prazo, as famílias e empresas continuam enfrentando o impacto de juros elevados, o que torna o acesso a crédito um tema relevante na economia atual.