De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a continuidade do ciclo de cortes na Selic é um sinal promissor, mas a taxa ainda elevada torna o crédito caro e freia investimentos importantes. “O elevado custo de capital posterga investimentos e limita a capacidade das empresas brasileiras de modernizar seus processos produtivos”, afirmou a entidade. O baixo crescimento da indústria de transformação, que foi de apenas 0,4% no primeiro semestre, reforça essa preocupação, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também criticou a manutenção de juros altos, destacando que a Selic permanece 3,6 pontos percentuais acima do que seria considerado ideal segundo a Regra de Taylor, que sugere uma taxa próxima a 10,4%. A CNI argumenta que o cenário atual sugere a possibilidade de cortes mais profundos na Selic sem comprometer o controle da inflação.
A Força Sindical, uma das principais organizações de trabalhadores, compartilhou essa visão. Para a central, a recente redução de 0,25 ponto percentual nos juros é insuficiente, já que taxas elevadas dificultam o acesso ao crédito, desestimular investimentos e comprometem a geração de empregos. “Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução significativa da taxa de juros, que poderia impulsionar o setor produtivo e revitalizar a economia como um todo”, declarou a entidade.
O Copom, em sua reunião que resultou na decisão de cortar a Selic, apontou que a nova taxa é uma parte de sua estratégia para alinhar a inflação aos níveis desejados. No entanto, ele também chamou a atenção para a instabilidade no cenário internacional, destacando os conflitos no Oriente Médio e incertezas sobre políticas monetárias em economias avançadas como fatores que influenciam a economia brasileira. O desafio agora é encontrar um equilíbrio que promova a recuperação econômica sem descontrole inflacionário.




