De acordo com Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da UFRJ, a tendência de diminuição da participação dos EUA nas exportações brasileiras já vinha se consolidando nos últimos anos. A busca por outros mercados internacionais, onde o Brasil já aplica esforços, deve continuar sendo a estratégia adotada, mesmo diante da nova tarifação que, segundo ele, reflete mais um componente político do que um problema puremente econômico.
A dificuldade em estabelecer previsibilidade nas relações comerciais com os EUA é evidente. Muitos especialistas enfatizam que, durante a administração de Donald Trump, o mercado americano se tornou menos confiável para o Brasil. A necessidade de investir em novos parceiros comerciais é premente, já que o contexto atual não oferece garantias de estabilidade nas relações bilaterais. “O que move o tarifaço não são ganhos comerciais, mas a agenda política do governo dos EUA para a América Latina”, enfatizou Delorme.
Em termos de números, o Brasil exportou em 2025 aproximadamente 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol, com cerca de 253 mil metros cúbicos destinados ao mercado norte-americano. Isso significa que mais de 84% do etanol brasileiro foi vendido para outros mercados. Além disso, a competitividade do Brasil no setor sucroalcooleiro é maior, com custos de produção mais baixos e uma produtividade superior na cana-de-açúcar em comparação ao milho, utilizado principalmente nos Estados Unidos.
Luis Augusto Barbosa Cortez, da Unicamp, ressalta que o Brasil ainda tem vantagens estruturais na produção de etanol, incluindo uma maior capacidade de cultivar milho em safras consecutivas devido ao clima favorável. A expectativa é que a produção de etanol a partir do milho cresça significativamente nos próximos anos, o que reforça a posição do Brasil no mercado internacional.
Por fim, as entidades representativas do setor, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), expressaram preocupação com os precedentes que essa tarifa pode estabelecer, mas reafirmaram que a política brasileira está alinhada às normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O cenário atual exige que o Brasil continue buscando diálogos e soluções pacíficas com seus parceiros comerciais, mesmo em meio a tensões políticas que possam afetar o comércio internacional.





