Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, no primeiro semestre de 2026, o Brasil importou US$ 1,5 bilhão a mais do que exportou para os Estados Unidos, resultando em um déficit que se mantém apesar da redução das trocas comerciais desde o ano anterior. A balança comercial registrou um total de US$ 36,4 bilhões, apresentando uma queda de 12,8% em comparação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras caíram 13%, totalizando US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações de produtos americanos também diminuíram, somando US$ 19 bilhões.
A pesquisadora Lia Valls, afiliada ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, comenta que a repercussão do tarifaço na balança comercial brasileira como um todo será mínima, já que a participação das exportações para os Estados Unidos caiu para cerca de 9,4%. Portanto, enquanto a balança comercial nacional não deve ser significativamente afetada, empresas de segmentos mais vulneráveis, como o de máquinas e calçados, podem enfrentar desafios sérios devido a sua elevada dependência do mercado americano.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, também ressalta que o superávit comercial brasileiro é majoritariamente impulsionado por commodities, como soja e carnes, que não foram alvo das novas tarifas. O impacto mais negativo, segundo ele, recairá sobre a indústria nacional, conhecida por gerar empregos através da produção de bens com maior valor agregado. O crescimento de novas barreiras tarifárias pode abrir caminhos para concorrentes internacionais que, anteriormente, não tinham presença no mercado.
A resposta do governo brasileiro à imposição das tarifas ainda é uma questão em aberto. Há discussões sobre a possibilidade de utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica, embora muitos especialistas achem que tal medida não produziria resultados significativos. Lia Valls argumenta que o Brasil carece de capacidade para causar danos efetivos aos Estados Unidos com qualquer ação punitiva e sugere que, em vez disso, o caminho certo é recorrer à Organização Mundial do Comércio.
A sineira do tarifaço é tocada baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, ferramenta utilizada pelos americanos para adotar medidas comerciais unilaterais. Com alíquotas que podem chegar a 50% em 24% dos produtos afetados, a prestação de contas e a negociação internacional parecem ser a luz no fim do túnel em meio a um cenário de crescente tensão comercial.





