Essa mina, a única de argilas iônicas atualmente em operação no Brasil, ingressará agora sob a gestão da USAR, uma mineradora que busca expandir suas operações no campo de recursos críticos. Desde 2024, a mina está em produção e é reconhecida por ser a única fonte fora da Ásia das quatro terras raras pesadas mais valiosas e críticas, como Disprósio, Térbio e Ítrio. É importante notar que mais de 90% da extração global dessas substâncias ocorre na China, fator que amplifica a relevância da Serra Verde no mercado internacional. Esses materiais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, fundamentais em diversas indústrias que vão de veículos elétricos a dispositivos de alta tecnologia.
A expectativa é que a nova parceria crie uma das maiores empresas do setor no mundo. Atualmente, a produção da Serra Verde em Goiás é considerada modesta, mas projeções indicam que a capacidade de produção pode dobrar até 2030. De acordo com a mineradora, as operações de Serra Verde serão cruciais para o desenvolvimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras fora da Ásia, integrando as capacidades de mineração e processamento da USAR.
O contrato entre as empresas assegura um fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV), respaldada por diversas agências do governo dos EUA e investidores privados. Isso garante uma base financeira sólida à Serra Verde, ao mesmo tempo que diminui os riscos e cria um ambiente favorável ao crescimento.
A transação, que foi bem recebida pelo mercado, resultou em uma alta significativa nas ações da USAR na Nasdaq, com aumento superior a 8%. A continuidade da equipe brasileira, com a incorporação de dois de seus executivos na nova diretoria da USAR, indica um compromisso em manter a expertise local.
A aquisição também reflete as preocupações globais sobre a dependência da produção chinesa, uma questão frequentemente abordada por líderes como Donald Trump. Em declarações, o presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, ressaltou a importância desse movimento, destacando como a parceria valida a qualidade da operação brasileira e o seu potencial para desempenhar um papel de liderança em cadeias globais de suprimentos de terras raras.
