De acordo com as conclusões do estudo, 1% da população brasileira com renda anual acima de R$ 5,5 milhões concentra 27,4% da renda total do país. Este grupo de milionários paga, em média, uma alíquota de impostos de apenas 20,6%, enquanto a classe média enfrenta uma carga tributária significativamente mais alta, que gira em torno de 42,5%. Estes dados, que se referem ao ano de 2019, apontam para um sistema tributário considerado regressivo, onde pessoas com rendimentos menores acabam arcando com uma carga tributária proporcionalmente maior.
O estudo ainda ressalta que a grande desigualdade de renda no Brasil é, de fato, mais alarmante do que se pensava anteriormente. Quando se leva em conta não apenas os rendimentos, mas também lucros empresariais, a concentração de renda no topo se torna ainda mais evidente. O 1% mais rico do Brasil ocupa uma posição preocupante em âmbito global em termos de desigualdade.
Em resposta a esta realidade, o ministro da Fazenda destacou a urgência de reformar o sistema tributário para reduzir as disparidades e garantir uma distribuição de renda mais justa. No momento em que o Congresso Nacional considera propostas de isenção do Imposto de Renda para aqueles que ganham até R$ 5 mil, Haddad enfatizou a necessidade de aumentar as alíquotas para os mais ricos, em busca de um desenvolvimento econômico que beneficie a todos.
As falhas do sistema tributário brasileiro são atribuídas, em parte, à sua dependência de impostos indiretos e à isenção de dividendos no imposto de renda. A comparação com a tributação em outros países revela que os milionários brasileiros pagam uma fração do que seus pares em nações desenvolvidas contribuem.
Por fim, o estudo, fruto da colaboração entre economistas brasileiros e internacionais, utiliza dados administrativos, como declarações de impostos, para oferecer uma visão abrangente da situação fiscal do país. As revelações feitas suscitam um debate urgente sobre a justiça social e a necessidade de reformas estruturais que visem a redução da desigualdade.