ECONOMIA – Proposta de novo modelo tributário pode afetar consumidores de baixa renda com aumento na conta de energia elétrica.

O novo modelo tributário em discussão, que busca a generalidade e a menor quantidade possível de exceções, está gerando preocupação em relação aos consumidores de baixa renda. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) avaliou que as regras propostas podem impactar negativamente essas famílias. Segundo a Abradee, a alíquota de 27% em estudo poderia resultar em um aumento de até 30% nas contas de energia elétrica dos consumidores mais humildes. Isso ocorreria pois o texto atual da reforma tributária não menciona regime especial ou redução de tributos para as classes menos favorecidas.

De acordo com Wagner Ferreira, diretor Institucional e Jurídico da Abradee, se os consumidores de baixa renda passarem a ser tributados da mesma forma que os demais, eles terão que pagar a alíquota cheia. Essa mudança significaria um aumento significativo do imposto sobre a conta de luz dessas famílias. Ferreira ressalta que isso pode ter um impacto muito grande para aqueles que recebem até meio salário mínimo, podendo inclusive inviabilizar o acesso a itens essenciais.

Para a Abradee, é fundamental que seja garantida a isenção de tributos para as famílias mais humildes. No entanto, caso o legislador opte pelo mecanismo de cashback, que prevê a devolução de impostos para um determinado público, a entidade defende que isso ocorra simultaneamente à cobrança do tributo. Essa medida evitaria que houvesse prejuízo financeiro para esses consumidores, que poderiam enfrentar dificuldades para pagar a conta de energia elétrica. Além disso, a Abradee questiona a viabilidade do cashback para aqueles que não possuem renda suficiente para arcar com o imposto.

A tarifa social, que atualmente beneficia os consumidores de baixa renda com isenção tributária ou redução de alíquota, é um importante instrumento para reduzir desigualdades no país. Segundo a Abradee, cerca de 40% dos consumidores das regiões Norte e Nordeste são atendidos por essa tarifa. A entidade argumenta que não há justificativa para criar obstáculos para fornecer esse benefício aos consumidores que têm direito a ele.

A Abradee está levando sua posição ao Congresso Nacional e à sociedade. O Fórum de Associações do setor elétrico apresentou quatro emendas visando aprimorar o mecanismo de cashback para os consumidores de energia. A entidade pede sensibilidade aos congressistas para que seja garantido um tratamento justo aos consumidores de baixa renda.

A perspectiva é que o novo relatório do senador Eduardo Braga seja lido nesta terça-feira (7) para votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) entre amanhã (7) e quarta-feira (8). No entanto, a votação em plenário deve ficar para depois do feriado de 15 de novembro. O compromisso apresentado pelos tomadores de decisão é aprovar a reforma tributária até 2023.

A Abradee enfatiza a importância de definir no texto da reforma tributária que a energia elétrica é um bem essencial para a população. Essa medida evitaria possíveis aumentos futuros de impostos sobre esse insumo, garantindo o acesso a um valor acessível às famílias mais carentes e contribuindo para o desenvolvimento econômico do país.

A redução da tarifa de energia elétrica também é um estímulo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), uma redução de 10% no valor da tarifa de energia resultaria em um aumento de 0,45% no PIB, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões por ano.

Durante um seminário sobre justiça fiscal, o secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, mencionou que as exceções instituídas pelo Congresso Nacional reduzem o espaço para a devolução parcial de tributos sobre a cesta básica e outros produtos. Ele deixou claro, porém, que o cashback pode ser instituído, mesmo que em escala menor que o previsto.

Diante desse contexto, é fundamental que a reforma tributária leve em consideração as necessidades dos consumidores de baixa renda e busque promover a equidade social. A garantia do acesso a serviços essenciais, como a energia elétrica, é fundamental para a dignidade e qualidade de vida dessas famílias.

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